Produtores conseguem embarcar mel paralisado no Piauí para os EUA

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A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis) confirmou nesta segunda-feira (14) que a carga de 95 toneladas de mel orgânico com destino aos Estados Unidos foi finalmente embarcada na noite de domingo (13).

O envio havia sido suspenso a pedido dos importadores, que temiam que o produto chegasse aos EUA após o início da tarifa de 50% imposta a produtos brasileiros, prevista para vigorar a partir de 1º de agosto.

O carregamento já estava no Porto do Pecém, no Ceará, a mais de 500 km da sede da Casa Apis, localizada em Picos, no sul do Piauí. A liberação só ocorreu depois que os produtores fizeram um apelo direto aos parceiros americanos.

“Há mais de 15 anos trabalhamos com esses clientes. Na sexta-feira, fomos surpreendidos com a solicitação de suspensão do envio. Graças a Deus, recebemos a notícia ontem à noite de que o embarque foi liberado”, declarou Sitônio Dantas, presidente da cooperativa.

Para contornar os riscos, o carregamento foi dividido entre diferentes navios, com rotas e prazos de entrega variados. “Alguns lotes devem chegar antes do dia 1º, mas outros podem desembarcar depois. Mesmo assim, eles assumiram esse risco em resposta à nossa solicitação”, explicou Sitônio em entrevista ao g1.

Enquanto isso, outra carga, com mais de 500 toneladas de mel do Grupo Sama, ainda permanece parada no porto. O CEO da empresa, Samuel Araújo, disse que as negociações seguem em curso. “Nenhum cliente quer que a carga chegue após o dia 1º. Eles estão exigindo que a entrega ocorra antes dessa data. Estamos fazendo tudo o que for possível para atender a essa demanda”, afirmou.

Diante da possibilidade de a tarifa se concretizar, o setor já discute alternativas. “Se os 50% forem mantidos, o que inviabiliza praticamente qualquer operação, o caminho será dividir esse custo entre exportadores e importadores”, explicou Samuel.

Além da ameaça tributária, os produtores enfrentam outro desafio: a seca. Segundo Sitônio, a estiagem reduziu drasticamente a expectativa de produção para o próximo ano.

“A previsão é de uma queda de cerca de 40% na safra de 2025. E agora temos mais essa questão da tarifa. Vamos torcer e pedir a Deus para que tudo se encaminhe para um desfecho positivo”, disse.

Apesar de o Piauí não ter sido o maior estado produtor de mel em 2024, liderou o ranking nacional de exportação do produto para os Estados Unidos, país que consome cerca de 80% do mel brasileiro. (Foto: reprodução TV; Fonte: G1)

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