Documentos obtidos pela Receita Federal e divulgadas da Folha de SP indicam que os pagamentos feitos pelo Banco Master ao escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes se estenderam por 2024 e 2025, totalizando R$ 80,2 milhões em dois anos.
Segundo informações enviadas à CPI do Senado que investiga o crime organizado, o banco declarou 11 pagamentos de R$ 3.646.529,72 ao escritório ao longo de 2024, somando R$ 40.111.826,92, como revelou a Folha na terça-feira (7).
Já em 2025, os registros não foram detalhados por mês, constando apenas a mesma cifra de R$ 40.111.826,92 no ano.
Procurado pelo jornal paulista, o escritório ‘Barci de Moraes’ afirmou que: “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.
O escritório não detalhou os valores dos pagamentos. Moraes, por meio da assessoria de imprensa do STF, também não se manifestou até a publicação deste texto.
Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, é sócia do escritório. Em nota divulgada no mês passado, a banca admitiu ter mantido contrato com o Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período equivalente a 11 meses de serviços em cada um dos anos.
Conforme informações publicadas pelo jornal O Globo, o contrato previa pagamento de R$ 129 milhões em três anos, cerca de R$ 3,6 milhões por mês.
Dados da Receita sugerem que o Master recolheu R$ 2,4 milhões em impostos retidos na fonte sobre o pagamento anual ao escritório, o que indica R$ 37,6 milhões líquidos por ano.
Na declaração de 2024, o valor aparece fracionado em 11 meses, com R$ 224 mil de impostos mensais sobre os pagamentos ao Barci de Moraes.
Quando o contrato veio à tona, o escritório — que também tem entre seus sócios dois filhos do casal — manteve silêncio até o começo de março, quando divulgou nota detalhando os serviços prestados. Conforme o Barci de Moraes:
“Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, o escritório realizou 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais, na sede do Master. Para isso, mobilizou uma equipe de 15 advogados e contratou outros três escritórios especializados em consultoria que trabalharam sob sua coordenação. O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).”
Na nota, a banca destacou ainda sua experiência: “O Barci de Moraes Sociedade de Advogados tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica.”
A publicação dos documentos da Receita Federal reacende o debate sobre pagamentos a escritórios de familiares de autoridades públicas e reforça a atenção sobre contratos entre grandes empresas e advogados com vínculos diretos a membros do STF. (Foto: STF; Fonte: Folha de SP)

