O governo de Donald Trump estaria intensificando as ações militares próximas à costa da Venezuela em uma estratégia que pode resultar na derrubada de Nicolás Maduro, de acordo com uma reportagem publicada nesta quarta-feira (22) pelo jornal norte-americano The Washington Post.
Segundo o veículo, fontes ligadas à administração norte-americana revelaram que o presidente autorizou recentemente “operações secretas” da CIA com o objetivo de aplicar “ações agressivas contra o governo venezuelano”.
O documento confidencial que formaliza a decisão, obtido pelo jornal, não determina explicitamente a deposição de Maduro, mas concede à agência de inteligência liberdade para adotar medidas que “podem levar a esse resultado”, conforme afirmaram as fontes ouvidas.
A iniciativa seria parte da ofensiva naval dos Estados Unidos no mar do Caribe, lançada sob o argumento de combater o tráfico de drogas com destino ao território americano.
Desde o início da operação, uma frota composta por navios de guerra e caças já interceptou e bombardeou sete embarcações suspeitas, resultando na morte de 32 pessoas. Washington alega que as ações têm caráter antidrogas, enquanto Caracas acusa os EUA de tentar uma invasão para derrubar o regime chavista.
De acordo com o Washington Post, o próximo passo pode ser a realização de ataques terrestres em áreas de floresta e pistas clandestinas utilizadas pelo narcotráfico.
Embora oficialmente direcionadas a organizações criminosas, as fontes consultadas pelo jornal afirmam que a operação tem como pano de fundo o enfraquecimento do Exército venezuelano e a criação de um clima de instabilidade interna.
A publicação destaca ainda que a estratégia americana tem características de uma “guerra psicológica”, com o objetivo de desgastar politicamente Maduro e confundir as forças armadas venezuelanas. “O presidente está batendo os tambores de guerra”, relatou uma das fontes, em referência ao aumento do tom belicista adotado por Trump nas últimas semanas.
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Outro ponto levantado pelo jornal é que a maioria das drogas que chegam aos EUA não vem do Caribe, onde estão concentradas as operações, mas sim do Pacífico e do México — o que reforçaria a tese de que o verdadeiro foco é político e não apenas o combate ao narcotráfico.
Na quarta-feira (22), os EUA bombardearam pela primeira vez um barco no Oceano Pacífico desde o início da ofensiva contra o que o governo Trump classifica como “narcoterrorismo”.
Desde setembro, veículos da imprensa norte-americana têm informado que a Casa Branca estuda uma ação militar direta na Venezuela, com possível ataque a estruturas associadas a cartéis de drogas. Autoridades citadas pelo Washington Post afirmam que o objetivo final seria remover Nicolás Maduro do poder.
Na semana anterior, Trump declarou que autorizou as operações porque, segundo ele, “a Venezuela tem enviado drogas e criminosos para os Estados Unidos”. Ao ser questionado por repórteres se a CIA teria poder para eliminar o presidente venezuelano, o republicano optou por não responder.

