A Embaixada do Japão enviou ao Palácio do Planalto, nesta semana, um pedido formal de extradição do canadense Paul Watson, fundador do Greenpeace e da Sea Shepherd, que está no Brasil para participar de eventos ligados à COP30.
O governo japonês acusa o ambientalista de promover ataques contra embarcações asiáticas envolvidas na pesca de baleias no Oceano Pacífico.
Watson nega as acusações e sustenta que suas ações tiveram como objetivo impedir a caça ilegal de baleias — uma prática que o Japão, segundo ele, tenta justificar sob o pretexto de pesquisas científicas.
Em resposta ao pedido japonês, a Sea Shepherd ingressou na Justiça brasileira com um habeas corpus preventivo, buscando garantir que o ativista não seja detido enquanto estiver no país.
A organização defendeu que, em 2014, a Corte Internacional de Justiça concluiu que o programa de caça de baleias promovido pelo Japão não tinha caráter científico legítimo.
Desde então, o conflito entre Tóquio e Watson se intensificou. Em 2012, o nome do ativista foi incluído na lista vermelha da Interpol a pedido dos governos do Japão e da Costa Rica, o que permitiu sua prisão em julho de 2024, na Groenlândia. Ele passou cinco meses detido até ser libertado pelo governo dinamarquês.
Neste ano, porém, a Interpol decidiu remover o nome de Watson da lista, reconhecendo que o pedido japonês tinha motivação política. A entidade também considerou inadequado o uso do mecanismo para casos de natureza ambiental, uma vez que a lista é destinada a criminosos graves, como assassinos e terroristas.
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Em nota, a Sea Shepherd acusou o governo japonês de perseguição. “Desde 2010, após confrontos com a frota baleeira japonesa no Oceano Antártico, o Japão tenta enquadrar Watson como criminoso por motivos banais, uma forma de retaliação às ações diretas de proteção às baleias”, afirmou a ONG.
A entidade pediu que o Brasil não ceda às pressões internacionais. “Proteger quem protege o planeta é um dever ético e jurídico”, declarou Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil.
Watson, por sua vez, afirmou que está sendo “punido” por lutar contra a caça ilegal de baleias. “Tudo o que conseguirão é expor ainda mais sua natureza criminosa, sua ganância desmedida e seu compromisso imoral em destruir a diversidade da vida no oceano”, disse o ativista.
Procurada pela imprensa brasileira, a Embaixada do Japão no Brasil informou que “não vai emitir nenhuma nota sobre o tema”. (Foto: redes sociais; Fonte: R7)

