O general Augusto Heleno afirmou à CNN que “agora é só esperar eles virem me pegar”, sinalizando que considera inevitável o início da execução da pena que pode levá-lo a uma prisão do Exército — instituição onde construiu uma das carreiras mais respeitadas da alta cúpula militar. Por coincidência, a fala aconteceu um dia antes da prisão de Bolsonaro, realizada na manhã de hoje (22).
Aos 78 anos, o ex-chefe do GSI no governo Jair Bolsonaro (PL), condenado a 21 anos de prisão por envolvimento no suposta plano para derrubar o resultado das eleições, segue uma rotina de caminhadas e exercícios na quadra onde vive, em Brasília.
De acordo com reportagem da CNN, Heleno virou uma espécie de “celebridade” da região. A área, predominantemente habitada por militares da ativa e da reserva, mantém forte simpatia pelo general. Cumprimentos frequentes, conversas rápidas e até pedidos de fotos fazem parte do cotidiano. (continua)
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(segue) Segundo a CNN, Heleno sai diariamente para treinar na academia pública localizada no centro da quadra, numa rotina marcada pela disciplina típica da vida castrense.
A entrevista concedida ao canal, de cerca de 10 minutos, ocorreu enquanto o general caminhava. Durante o diálogo, insistiu que “não mandou fazer nada” e negou participação no esquema investigado pelo STF.
Contou que serviu ao Exército por cinco décadas e afirmou que, em 8 de janeiro de 2023, quando ocorreu a invasão das sedes dos Três Poderes, estava em casa com a esposa, “horrorizado” com o que viu.
Heleno também disse acreditar que os atos podem ter sido “orquestrados” por setores contrários ao governo. Negou ainda qualquer envolvimento com irregularidades na Abin, órgão que era subordinado ao GSI, mas operado no dia a dia por Alexandre Ramagem, então diretor da agência.
Heleno afirmou que a Abin e suas estruturas internas “não passavam” por sua supervisão direta, já que, segundo ele, a área “era muito fechada”.
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Na conversa, o general comentou sobre o clima político do país e disse não ver “nenhuma coisa boa nisso” diante da atual polarização.
Ele também fez questão de mencionar os Kids pretos, grupo de militares de elite do Exército. Afirmou que esses profissionais possuem preparo tático e capacidade de “planejar e realizar”, mas reforçou que não têm qualquer vínculo com ele.
A condenação de Heleno e dos demais envolvidos foi registrada em 11 de setembro, quando a Primeira Turma do Supremo fixou pena de 21 anos em regime fechado, além de 84 dias-multa. (Foto: EBC; Fonte: CNN)

