O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou nessa sexta-feira (23) de um encontro do PT em Brasília e voltou a falar sobre a recente elevação de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o Brasil.
Ao se referir ao governo norte-americano, Haddad disse que “o Brasil não pode ser quintal de ninguém” e classificou como passageira a gestão do presidente Donald Trump.
Segundo o ministro, a postura de Washington tem como pano de fundo interesses políticos internos ligados à extrema direita brasileira.
“Essa atitude hostil nos surpreendeu pela ação e de grupos de extrema direita brasileiros que de patrióticos não têm absolutamente nada. Vimos aí pelas mensagens trocadas que o único objetivo é livrar a cara dos golpistas e não tem nenhuma outra finalidade essa hostilidade que não seja reabilitar a extrema-direita no Brasil”, declarou.
Haddad ressaltou que, historicamente, o Brasil sempre manteve diálogo com diferentes administrações norte-americanas, sejam democratas ou republicanas, durante os três mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Relação com os EUA nós dialogamos com todos os governos. […] Não tem nenhuma razão para que isso mude, até porque o governo Trump é temporário e o Brasil, os Estados Unidos são estados nacionais permanentes”, afirmou.
Ele também mencionou o avanço das discussões com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Besson, em reuniões realizadas na Califórnia, mas reiterou que a ofensiva recente compromete esse processo.
Outro ponto abordado pelo ministro foi a proteção de dados e o papel estratégico da tecnologia no país. “0% dos dados dos brasileiros estão sendo processados fora do Brasil e nós temos que tomar providências para que eles sejam processados aqui e de preferência com empresas brasileiras também, porque nós precisamos ter capital nacional e capital estatal investidos na capacitação do processamento de dados e na inteligência artificial”, disse, defendendo que o Estado atue com atenção redobrada nesse setor.
Encerrando sua fala, Haddad falou em autonomia brasileira nas relações internacionais. “O Brasil não pode servir de quintal de ninguém. Nós sabemos disso. Nós temos tamanho, densidade, importância para manter e garantir a nossa soberania. Nós não podemos escolher parceiro. O Brasil tem que ser parceiro de todo mundo”, concluiu.

