A definição da nova presidência dos Correios, após mais de dois meses de indefinição, acelerou a elaboração de um plano emergencial para conter o rombo financeiro da estatal.
Segundo apuração da Folha de S. Paulo, a estratégia passa pela renegociação de um empréstimo de R$ 1,8 bilhão com bancos privados e pela injeção de recursos do Tesouro Nacional.
O cenário preocupa. Em cenários pessimistas, conforme cálculos da Folha, a empresa precisaria de um socorro de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões para resolver sua situação financeira. Só para este ano, a necessidade pode ficar em torno de R$ 2 bilhões.
Integrantes do Ministério da Fazenda avaliam que um sinal de apoio federal é essencial para evitar a execução antecipada do contrato e acalmar os credores. Nesta terça-feira (16), o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, se reuniu com representantes do BTG Pactual e do Citibank, líderes da operação financeira, para discutir alternativas.
Dentro da equipe econômica, há consenso de que uma solução não pode mais ser adiada. Se os covenants forem disparados, os Correios ficariam dependentes do Orçamento da União, pressionando ainda mais os gastos obrigatórios.
Luiz Inácio Lula da Silva confirmou Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, como novo presidente da estatal. A Secom destacou sua experiência técnica e informou que sua primeira missão será apresentar um plano de reestruturação. Até então, a empresa vinha sendo comandada interinamente por Fabiano Silva dos Santos, que deixou o cargo em julho.
Em nota, os Correios afirmaram já adotar medidas de ajuste, como a criação de um Comitê Executivo de Contingência, expansão de receitas por meio da diversificação de serviços e aumento da produtividade. O lançamento de um marketplace faz parte dessas iniciativas, mas outras ações permanecem sob sigilo.
Além do aporte direto, o governo avalia medidas paralelas para dar fôlego à estatal. A Caixa Econômica Federal estuda a compra de imóveis dos Correios e possíveis parcerias em serviços financeiros.
Enquanto bancos como Citibank, BTG Pactual e ABC Brasil evitam declarações públicas, nos bastidores a percepção é de que a União terá de intervir para garantir a sobrevivência da estatal e evitar que o impasse evolua para uma crise fiscal mais ampla. (Foto: EBC; Fonte: InfoMoney; Folha de SP)

