Ex-ministro de Lula é deportado de país aliado dos EUA; Saiba mais

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O jornalista e ex-ministro Franklin Martins, que comandou a Secretaria de Comunicação Social no segundo mandato de Lula, foi deportado do Panamá na última sexta-feira (6).

A expulsão ocorreu no aeroporto da Cidade do Panamá, enquanto ele fazia escala em uma viagem do Rio de Janeiro para a Cidade da Guatemala, onde participaria de um evento acadêmico.

Segundo reportagem do UOL, a decisão foi tomada por autoridades migratórias panamenhas sem que fosse apresentada uma justificativa formal.

Após o caso chegar ao conhecimento do governo brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que o chanceler panamenho pediu desculpas pelo ocorrido, classificando o episódio como um “equívoco da imigração”.

Martins contou que, ao desembarcar no aeroporto panamenho para a conexão, foi abordado por dois agentes à paisana que verificavam passaportes. Após analisarem seu documento, os policiais pediram que ele os acompanhasse.

O ex-ministro permanece impedido de entrar nos Estados Unidos devido à participação no sequestro do embaixador americano Charles B. Elbrick, ocorrido em 1969, durante o governo militar brasileira.

Na ocasião, o diplomata foi libertado após o regime aceitar trocar sua liberdade pela soltura de presos políticos.

Nos últimos anos, Panamá e Estados Unidos ampliaram a cooperação em temas de segurança e migração. Desde 2024, Washington tem apoiado financeiramente o país centro-americano em operações de deportação de pessoas que entram irregularmente em seu território — situação que, segundo Martins, não se aplicava ao seu caso.

A partir de 2025, o Panamá também passou a receber voos com migrantes deportados dos EUA antes de encaminhá-los aos seus países de origem.

No aeroporto, o ex-ministro relatou ter sido levado a uma sala reservada e sem identificação, onde teve de preencher um formulário com dados pessoais. Ele também foi fotografado e teve as impressões digitais recolhidas em diversas ocasiões. Para comprovar o motivo da viagem, apresentou aos agentes a programação do seminário em uma universidade guatemalteca do qual participaria.

“Perguntei a razão da entrevista e ele não quis responder. Disse que era um procedimento padrão autorizado pela lei de migração de 2008 e que depois me daria outras informações”, relatou.

Durante o interrogatório, autoridades migratórias perguntaram sobre sua prisão em 1968, ainda no período da ditadura militar brasileira. No formulário apresentado a Martins havia uma questão específica sobre detenções anteriores.

“Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, afirmou no relato enviado ao Itamaraty.

Depois do primeiro procedimento, Martins disse que foi encaminhado para outra sala da imigração, onde permaneceu por cerca de quatro horas sem receber explicações adicionais. No local, voltou a ser fotografado — de frente e de perfil — e teve novamente as impressões digitais coletadas.

Ao final do processo, ele foi colocado em um voo de retorno ao Brasil. O episódio foi comunicado às autoridades brasileiras, e o caso passou a ser tratado diplomaticamente.

“Será que quem lutou contra a ditadura militar no Brasil e foi condenado pelos tribunais militares daquela época não deve ser alertado se for visitar o Panamá ou mesmo fazer uma conexão? Não seria o caso do governo brasileiro conversar sobre esses abusos com autoridades panamenhas?”, declarou ao UOL. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: UOL)

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