O endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer em janeiro e alcançou 79,5%, igualando o maior nível já registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta sexta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O índice avançou em relação a dezembro, quando estava em 78,9%, e superou o percentual observado em janeiro de 2025, de 76,1%.
Apesar do aumento no número de famílias com dívidas, a proporção das que afirmaram ter contas em atraso apresentou leve recuo. O indicador passou de 29,4% em dezembro para 29,3% em janeiro, ainda assim acima do patamar registrado no mesmo mês do ano passado, de 29,1%.
A pesquisa também apontou crescimento na parcela de consumidores que dizem não ter condições de quitar seus compromissos financeiros. Esse grupo passou de 12,6% para 12,7% no período, repetindo o nível observado em janeiro de 2025.
Outro dado que chamou atenção foi o avanço do comprometimento da renda familiar com dívidas. Em média, essa fatia subiu de 29,5% para 29,7%, o maior percentual desde maio de 2025, quando havia alcançado 29,8%, segundo a CNC.
Em nota, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avaliou que o recorde deve ser analisado com cautela. Ele destacou que o endividamento está diretamente relacionado ao elevado custo do crédito no país e defendeu maior atenção às contas públicas como forma de abrir espaço para uma flexibilização da política monetária.
A CNC projeta que o endividamento das famílias continue avançando no primeiro semestre de 2026, funcionando como um fator de sustentação do consumo.
Ao mesmo tempo, a entidade avalia que a inadimplência pode manter trajetória de queda, caso se confirme o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que a expectativa de alívio no aperto monetário pode levar à redução dos juros ao consumidor já a partir do segundo trimestre deste ano. Entre as principais modalidades de dívida, o cartão de crédito segue liderando, citado por 85,4% dos entrevistados.
A Peic é realizada mensalmente e monitora indicadores como nível de endividamento, atraso no pagamento, comprometimento da renda e percepção de capacidade de pagamento, com coleta de dados nas capitais brasileiras e no Distrito Federal. (Foto: IA; Fonte: BPMoney)

