Uma empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, pagou R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra Verônica Abdalla Sterman, do Superior Tribunal Militar (STM). A informação é da colunista Andreza Matais, do Metrópoles.
O valor aparece em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à CPMI do INSS.
Segundo o documento, o pagamento foi feito pela ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025 — antes de Sterman assumir o cargo de ministra.
O desembolso ocorreu em parcela única e foi destinado ao escritório da ministra. No entanto, não há registro de processos em que ela tenha atuado em favor da ACX ITC ou de outras empresas do grupo.
Verônica Sterman, advogada paulista de 41 anos, foi nomeada por Lula em setembro de 2025. Entre seus clientes anteriores estão a ministra Gleisi Hoffmann (PT), o ex-ministro Paulo Bernardo (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), todos apoiadores de sua indicação. (continua)
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(segue) Segundo o RIF, o pagamento saiu de uma conta da ACX ITC no Banco do Brasil, em São Caetano do Sul (SP), que movimentou mais de R$ 266 milhões nos quatro meses analisados.
A ACX ITC também pagou R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro, sem registro de atuação em favor da empresa. Em nota, ele afirmou que os valores se referem a serviços advocatícios.
A ministra, por sua vez, disse que os R$ 700 mil correspondem a três pareceres jurídicos elaborados sobre temas criminais da ACX ITC e que não mantém qualquer relação com o “Careca do INSS”.
“Em relação ao questionamento apresentado, a ministra do Superior Tribunal Militar Verônica Sterman informa que desconhece que a empresa mencionada pertença ao empresário citado e que não mantém qualquer relação com ele”, declarou em nota.
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“A magistrada esclarece ainda que, à época em que exercia a advocacia, foi consultada por essa empresa exclusivamente sobre a possibilidade de elaboração de três pareceres jurídicos, todos relacionados a temas de natureza criminal vinculados às atividades então desenvolvidas pela contratante”, acrescentou.
“Após a consulta, foi apresentada proposta de honorários, posteriormente aceita pela empresa. Os pareceres foram regularmente elaborados e entregues dentro dos prazos previamente estipulados, encerrando-se aí a relação profissional”, finalizou.
Criada por dois empresários de São Paulo, Ericsson de Azevedo e Erika Nogueira Marques da Costa, a ACX ITC teve o capital inicial registrado em R$ 101,2 milhões.
Erika chegou a registrar metade da empresa em seu nome enquanto recebia pagamentos do INSS, mas depois foi substituída por outro sócio, permanecendo apenas Ericsson como proprietário.
A Polícia Federal aponta que a ACX ITC era usada pelo “Careca do INSS” para dificultar o rastreio dos recursos do grupo. A empresa recebeu ao menos R$ 4,4 milhões da Arpar Participações e Empreendimentos, firma do empresário que servia para fragmentar o fluxo financeiro e ocultar beneficiários finais.
Apesar do capital milionário, a ACX ITC tem presença mínima online, com um Instagram desativado desde abril de 2023 e um site fora do ar.
A empresa mantém poucos processos judiciais, incluindo ação de uma advogada que alega ter sido enganada por investimentos não pagos dentro do RCX Group, grupo investigado na CPI das Pirâmides Financeiras em 2023.
“De fato, a agravante e outros tantos investidores foram ludibriados pelo dividendo prometido, bem como pela luxuosa vida que os sócios ostentavam, regada a veículos importados, imóveis luxuosos e viagens, tudo para transmitir credibilidade à operação”, afirmou a advogada em petição. (Foto: reprodução; Fonte: Metrópoles)
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— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) January 12, 2026

