Detenta do ‘8 de Janeiro’ critica governo Milei e parlamentares brasileiros por ‘abandono’ na Argentina

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Após quebrar a tornozeleira eletrônica que usava no Brasil e seguir para a Argentina, a paranaense Ana Paula de Souza se encontra presa no complexo penitenciário de Ezeiza, em Buenos Aires, junto com outros quatro brasileiros condenados pelos atos do ‘8 de janeiro’ de 2023. Ela aguarda julgamento de extradição para o Brasil.

Em entrevista exclusiva à CNN, por telefone fixo, Ana Paula desabafou sobre a situação no país vizinho. “Nós estamos esquecidos em uma penitenciária da Argentina. Estamos simplesmente abandonados, jogados às traças e ninguém se preocupa. A nossa vida não importa, a nossa família não importa, a nossa saúde não importa”, disse.

A brasileira criticou duramente o governo argentino, comandado por Javier Milei. “Eu me sinto traída. Estão sendo negligentes com a nossa situação. Eu gosto de pessoas coerentes. Então não tem como você dizer: ‘Ah, Lula, Alexandre de Moraes perseguem os brasileiros, e quando essas pessoas vêm para cá pedir ajuda, você os prende’. Para mim, isso não é coerente”, afirmou.

Ana Paula contou que chegou a pedir refúgio à Conare, a comissão argentina para refugiados, acreditando estar protegida, mas acabou presa próximo ao local onde morava.

“Eu confiei nesse país. E eu segui a lei desse país. E pra quê? Sendo que a própria instituição que iria nos proteger foi a que primeiro nos traiu, que me entregou para a polícia”, afirmou.

Sobre as condições do cárcere, ela relatou experiências difíceis: crises de pânico, xenofobia e convivência com detentas envolvidas com crimes graves.

“Apaguei no chão e me levaram para o centro médico”, disse, explicando que foi transferida para outro pavilhão, mais tranquilo, onde vive com duas detentas. Mesmo assim, relata que ainda se sente vulnerável: “[Dizem:] Eu vou precisar disso, mas minha família não pode trazer. Você pode comprar? E, claro, eu estou sozinha, estou vulnerável. Pra minha própria segurança, falo ok, vou comprar”.

A paranaense não se arrepende de sua participação nos atos do 8/1, lembrando que condena atos de vandalismo.

Condenada a 14 anos de prisão por “tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio e associação criminosa”, ela considera a decisão judicial equivocada.

“Fui enfiada no meio de uma massa enorme de pessoas, sem individualização”, disse a advogada de Souza, Carla Junqueira.

Além das críticas a Milei, Ana Paula criticou a ausência de políticos brasileiros. “Sinto falta de pronunciamentos dos políticos brasileiros, que deveriam nos ajudar”, declarou. Apesar de visitas de parlamentares bolsonaristas, como Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF), ela afirma que o contato não se manteve e que todos os foragidos na Argentina se sentem abandonados.

Ana Paula explicou que muitos que não foram presos vivem com medo, devido aos 62 pedidos de extradição emitidos pelo ministro Alexandre de Moraes, e que alguns decidiram deixar o país por receio de serem detidos, enquanto outros aguardam a decisão da Conare sobre a concessão de refúgio.

“Todos estamos vulneráveis e esperando que alguém se manifeste. Mas até agora, ninguém se importa”, finalizou Ana Paula. (Foto: redes sociais; Fonte: CNN)

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