O grupo Stellantis, responsável por marcas como Fiat, Jeep e Peugeot, desmontou aproximadamente 600 veículos nos primeiros seis meses de funcionamento de seu primeiro centro de desmanche fora da Europa.
A unidade está instalada em Osasco e marca a entrada das montadoras em um modelo estruturado de reciclagem automotiva no país.
Nesse período inicial, a operação possibilitou a reciclagem de cerca de 360 toneladas de materiais. Desse total, 334 toneladas correspondem a aço e alumínio oriundos de partes estruturais, além de 26 toneladas de plástico e 1,8 tonelada de cobre.
Também foram retirados aproximadamente 2,5 mil litros de óleo dos veículos, que passaram por tratamento e tiveram descarte adequado.
Parte relevante do processo envolve o reaproveitamento de componentes. Mais de 9 mil peças foram recuperadas, recondicionadas e disponibilizadas para venda no mercado. Atualmente, a Stellantis é a única montadora a manter um centro de reciclagem próprio em operação no Brasil.
Outras fabricantes, porém, acompanham o movimento. A Toyota anunciou planos para implantar um projeto semelhante no país, com foco na reutilização de peças e oferta de preços mais acessíveis ao consumidor.
Segundo a montadora japonesa, o projeto deve atender três perfis principais: donos de veículos com até cinco anos de uso, proprietários de carros entre cinco e dez anos ainda dentro da garantia e usuários de automóveis voltados ao trabalho.
Como funciona o centro da Stellantis
Batizado de “Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças”, o espaço é o primeiro da América Latina e o único do grupo fora da Europa. O projeto recebeu investimento de R$ 13 milhões e foi desenvolvido para atuar na desmontagem de veículos sinistrados, fora de uso ou em fim de vida útil — inclusive de outras marcas.
As peças passam por uma avaliação rigorosa, com classificação de 1 a 10. Apenas componentes com notas entre 5 e 10 são comercializados. Segundo Alexandre Aquino, vice-presidente de economia circular da empresa na América do Sul, todas custam menos da metade do valor de uma peça nova.
“A nota estará pública através de etiqueta em cada peça, para ser ainda mais transparente com o cliente. Ele tem garantia de que a peça passou por um processo legal de desmontagem”, afirmou.
O centro tem capacidade para desmontar até 8 mil veículos por ano e expectativa é que a operação gere aproximadamente 150 empregos diretos nos próximos anos.
“Vai ter carros de outras montadoras. E vamos comercializar as peças dessas outras fabricantes, sim”, disse Paulo Solti, vice-presidente de Peças e Serviços para a América do Sul.
Origem e rastreabilidade dos veículos
Os carros desmontados são adquiridos em leilões e incluem veículos acidentados com perda total ou que chegaram ao fim da vida útil. Ao chegar à unidade, passam por uma etapa de ‘descontaminação’, com retirada de óleos, combustíveis e outros fluidos. Em seguida, seguem para a linha de desmontagem, onde técnicos realizam testes e inspeções detalhadas.
As peças aptas ao reaproveitamento são separadas para reuso ou remanufatura. Elas passam por limpeza com produtos biodegradáveis e recebem identificação individual, incluindo classificação, preço de mercado e etiqueta de rastreamento emitida pelo Detran. Cada veículo é vinculado a uma “carteira de desmonte”, que garante rastreabilidade total de até 49 itens.
A Stellantis estima que o Brasil tenha cerca de 48 milhões de veículos em circulação e que, anualmente, cerca de 2 milhões cheguem ao fim da vida útil. Apenas 1,5% recebe destinação adequada. O potencial desse mercado pode alcançar até R$ 2 bilhões por ano, segundo a empresa.
Onde comprar as peças
As peças recuperadas são vendidas tanto presencialmente quanto online. Em Osasco, o atendimento ocorre em uma loja física instalada em um contêiner dentro do próprio centro. Pela internet, os produtos estão disponíveis na loja oficial da Circular AutoPeças no Mercado Livre, com previsão de lançamento de um e-commerce próprio.
Todas as vendas seguem critérios legais de rastreabilidade e segurança, garantindo procedência certificada e conformidade com a legislação brasileira. E mais: Urgente: EUA e Israel lançam ataque contra o Irã. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: G1)





