O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou na noite dessa quarta-feira (1º) que a deputada Luizianne Lins (PT-CE) e outros brasileiros foram detidos pela Marinha de Israel enquanto participavam de embarcações a caminho da Faixa de Gaza. Segundo informações do PT, a detenção ocorreu de “forma ilegal e autoritária”.
A flotilha internacional, chamada Flotilha Global Sumud, é composta por cerca de 45 embarcações transportando aproximadamente 500 ativistas, políticos e personalidades, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg.
De acordo com o PT, havia 13 brasileiros a bordo. Luizianne Lins estava no barco Grande Blu com mais nove pessoas. Além dela, participavam também a vereadora de Campinas, Mariana Conti (Psol), e a presidente do Psol no Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolotti.
Hugo Motta informou que recebeu a notícia enquanto conduzia uma sessão de votação na Câmara. “A notícia me pegou de surpresa”, disse no plenário, acrescentando que solicitou “todo apoio” do Itamaraty no contato com autoridades israelenses, para que a deputada “possa ter as prerrogativas respeitadas, assim como os direitos dos demais brasileiros”. Ele também afirmou que, nesta quinta-feira (2), tentará contato “o mais rápido possível” para apoiar o restabelecimento da liberdade da parlamentar.
De acordo com o portal alemão DW, a vereadora de Campinas Mariana Conti (Psol), a presidente do Psol no Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolotti, também estavam na viagem.
Segundo os organizadores, a flotilha saiu da Espanha no mês passado com o objetivo de romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza.
Após uma parada de 10 dias na Tunísia — período em que relataram dois ataques de drones a embarcações da flotilha — o grupo retomou a viagem em 15 de setembro. Um dos principais navios, o Alma, foi “agressivamente cercado por um navio de guerra israelense”, enquanto outra embarcação, o Sirius, sofreu “manobras de assédio semelhantes”, reclamou a equipe.
As interceptações ocorreram a cerca de 70 milhas náuticas (129 km) da costa de Gaza. De acordo com a organização da flotilha, “Por volta das 20h30, horário de Gaza [14h30 no horário de Brasília], várias embarcações da Flotilha Global Sumud, incluindo a Alma, a Sirius e a Adara, foram interceptadas ilegalmente e abordadas pelas forças de ocupação israelenses em águas internacionais”. A organização relatou ainda que, durante a operação, transmissões ao vivo e comunicações com outras embarcações foram interrompidas.
Os viajante afirmaram que as forças navais israelenses empregaram “agressão ativa” contra a flotilha. “O navio Flórida foi deliberadamente abalroado no mar. [As embarcações] Yulara, Meteque e outras foram alvos de canhões de água”, disse a organização, acrescentando que todos a bordo saíram ilesos.
O Ministério do Exterior de Israel confirmou que “vários navios da flotilha de ajuda humanitária a Gaza foram parados e seus passageiros estão sendo transferidos para um porto israelense”. Em postagem no X, a pasta afirmou que “Greta e seus amigos estão seguros e saudáveis”, mostrando um vídeo em que a ativista sueca aparece ao lado de militares israelenses armados.
Israel já havia alertado a flotilha para que não se aproximasse da região. “A Marinha israelense entrou em contato com a […] flotilha e pediu que mudassem de curso”, declarou o Ministério. “Israel informou à flotilha que eles estavam se aproximando de uma zona de combate ativa e violando um bloqueio naval legal.” A Espanha e a Itália, que enviaram escoltas navais, também solicitaram que os navios interrompessem seu trajeto antes de entrar na zona de exclusão declarada por Israel.
Apesar dos avisos, a flotilha manteve seu compromisso de tentar entregar ajuda humanitária à população de Gaza, denunciando o que chamou de táticas de “intimidação” por parte do Exército israelense. (Foto: Ag. Câmara; Fontes: Estadão; DW)
Already several vessels of the Hamas-Sumud flotilla have been safely stopped and their passengers are being transferred to an Israeli port.
Greta and her friends are safe and healthy. pic.twitter.com/PA1ezier9s— Israel Foreign Ministry (@IsraelMFA) October 1, 2025

