Os Correios divulgaram nessa quinta-feira (23) seus resultados financeiros de 2025, revelando um prejuízo de R$ 8,5 bilhões.
Desse total, R$ 6,4 bilhões estão relacionados ao pagamento de precatórios, principal fator responsável pelo aumento expressivo das despesas.
O resultado negativo marca o 14º trimestre consecutivo de perdas da estatal desde o fim de 2022.
Apenas no primeiro semestre, o rombo acumulado já havia alcançado R$ 4,36 bilhões, evidenciando a dificuldade da empresa em reverter o cenário financeiro.
De acordo com o balanço, os precatórios — decorrentes de decisões judiciais definitivas — foram o principal peso nas contas. Além disso, a receita bruta da empresa somou R$ 17,3 bilhões no período, representando uma queda de 11,35% em relação ao ano anterior.
Na tentativa de aliviar o caixa, os Correios fecharam, nos últimos dias de 2025, um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões, praticamente quitado em 30 de dezembro.
Apesar do volume expressivo, o impacto no resultado foi limitado, já que os recursos foram destinados a cobrir despesas elevadas, e não a reduzi-las de imediato.
O acordo foi formalizado com um consórcio de bancos formado por Itaú, Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, com validade até 2040.
A operação contou com garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional, reduzindo o risco para as instituições financeiras.
Segundo o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, Banco do Brasil, Caixa e Bradesco contribuíram com R$ 3 bilhões cada, enquanto Itaú e Santander participaram com R$ 1,5 bilhão cada. O contrato prevê carência de três anos e início dos pagamentos em dezembro de 2029, com juros fixados em 115% do CDI.
Além desse financiamento, o governo federal autorizou a ampliação da capacidade de crédito da estatal.
Por decisão do Conselho Monetário Nacional, os Correios poderão contratar até mais R$ 8 bilhões com garantia da União, embora a definição final ainda dependa de negociações previstas para o fim do primeiro semestre.
Outro fator que pressionou as despesas financeiras foi o custo dos empréstimos anteriores.
Em dezembro de 2024, ainda na gestão de Fabiano Silva dos Santos, a empresa contraiu R$ 550 milhões junto aos bancos ABC e Daycoval, dos quais ainda restavam R$ 76,6 milhões a pagar ao Banco ABC até o terceiro trimestre.
Já um empréstimo de R$ 1,8 bilhão tomado em junho de 2025 gerou encargos elevados, contribuindo para a necessidade de novos recursos.
Paralelamente, a estatal apresentou um balanço do seu plano de reestruturação, lançado no fim de 2025. No entanto, a adesão ao plano de demissão voluntária (PDV) ficou abaixo das expectativas iniciais, que previam a saída de até 10 mil funcionários neste ano.
A venda de ativos também enfrenta obstáculos. Em leilões realizados em fevereiro, apenas 4 dos 21 imóveis ofertados foram vendidos.
Até o momento, os Correios arrecadaram cerca de R$ 11,3 milhões com a venda de 11 propriedades, valor considerado modesto diante das necessidades financeiras da empresa. E mais: Rádio Eldorado encerra atividades após 70 anos. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: G1)

