CNBB critica Congresso e ‘juros’ em mensagem de fim de ano

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A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) destacou o Congresso Nacional e o impacto dos juros da dívida pública em sua mensagem de Ano Novo, apontando os principais fatores que, na avaliação da instituição, limitam a capacidade do Estado de combater desigualdades e fragilizam a democracia no país.

O documento afirma que o pagamento “exorbitante de juros e amortizações da dívida” restringe investimentos em setores essenciais, como educação, saúde, moradia e segurança.

Segundo os bispos, esse contexto financeiro se soma a retrocessos institucionais observados ao longo de 2025, com ênfase para o papel do Congresso Nacional. (continua)

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(segue) O texto cita a “perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades”, destacando que decisões legislativas e disputas de poder contribuíram para enfraquecer mecanismos democráticos e aumentar a desconfiança nas instituições.

A mensagem também critica alterações em marcos legais importantes, como a flexibilização da Lei da Ficha Limpa, e ressalta impactos de votações sobre temas sensíveis, como a aprovação do Marco Temporal e mudanças na legislação ambiental.

Para a CNBB, tais decisões aprofundam tensões sociais e priorizam interesses econômicos em detrimento do bem comum. Apesar das críticas, o documento reconhece avanços em áreas como saúde, economia e sustentabilidade, afirmando que ganhos pontuais não compensam a combinação de endividamento elevado, pagamento de juros e decisões políticas que fragilizam a ética pública.

Entre os pontos positivos, a CNBB destaca a ampliação da proporção de médicos por habitante e o fortalecimento do SUS, a retirada de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, a estabilidade da inflação, a queda do desemprego, o crescimento do PIB, a expansão do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais. (continua)

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(segue) O texto ressalta ainda a COP-30, realizada em Belém (PA), e o papel do Brasil na liderança em energias renováveis, lembrando que a Igreja participou do ‘debate climático’ “não como protagonista político”, mas com foco em caminhos comuns diante da crise ambiental e do cuidado com a “Casa Comum”.

A mensagem cita ainda aumento do investimento privado em sustentabilidade e a realização de plebiscito sobre redução da jornada de trabalho e taxação proporcional à riqueza.

Ao concluir, a CNBB reforça que nenhum projeto político deve se sobrepor à vida, à justiça social e à democracia. A instituição enfatiza a importância do diálogo, da responsabilidade institucional e do cuidado com o país, alertando que ‘discursos de ódio’, ‘manipulação da informação’ e interesses particulares não podem prevalecer sobre o interesse coletivo.  Leia abaixo na íntegra. (Foto: divulgação; Fonte: Poder360)

“Há poucos dias, celebramos o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Naquela noite santa, o anjo já o disse aos pastores, e hoje repete a nós: “Não temais! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo” (Lc 2,10). Por ocasião do encerramento do Ano Jubilar, em nossas dioceses, e praticamente do ano civil, dirigimo-nos ao povo brasileiro com uma mensagem de esperança, mas, ao mesmo tempo, de grave preocupação. Como pastores, exultamos com as vitórias e conquistas e nos inquietamos – e até nos indignamos! – com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres.




Neste ano, são várias as notícias que nos fazem felizes e renovam nossas esperanças. No âmbito da saúde, ficamos felizes com o aumento da taxa média de médicos pelo número de habitantes e agradecemos a Deus pelo Sistema Único de Saúde. No campo econômico, alegramo-nos com a retirada de algumas tarifas norte-americanas sobre vários produtos brasileiros, a estabilidade da inflação, a taxa de desemprego em queda, o relativo crescimento do PIB, o significativo aumento do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais.

Orgulhamo-nos da realização da COP-30, em Belém do Pará, e também nos enleva o fato de o Brasil consolidar sua liderança em energias renováveis. A Igreja se fez presente, não como protagonista político, mas desejosa de contribuir para a construção de caminhos comuns diante da crise climática e o cuidado com a “Casa Comum”. Aumentou significativamente o investimento privado em sustentabilidade, em práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Os movimentos populares se alegram, sobretudo, com a realização do Plebiscito Popular sobre a redução da jornada de trabalho e a taxação proporcional à riqueza.

Constatamos experiências positivas. Contudo, há também várias situações que nos entristecem e preocupam. No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna.




Entre essas, destacam-se: o pagamento exorbitante de juros e amortizações da dívida, que deixa o país sem capacidade de maior investimento em educação, saúde, moradia e segurança; o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública; a fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder; a flexibilização de marcos legais essenciais, como a Lei da Ficha Limpa; o desrespeito pelos povos originários e tradicionais, agravado pela aprovação do Marco Temporal no Congresso Nacional; as ameaças à proteção ambiental, intensificadas pelas mudanças na Lei Geral do Licenciamento; a desigualdade social, que continua marginalizando muitos; o aumento da violência, especialmente o feminicídio e outros crimes motivados pela intolerância; o uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”; a perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades, especialmente do nosso Congresso Nacional. Discursos de ódio, manipulação da verdade, violências, radicalismos ideológicos e interesses particulares não podem se sobrepor ao bem comum.

Tais realidades ferem a dignidade humana e obscurecem a vocação democrática do país. O poeta Thiago de Mello traduz esse valor numa bela imagem: “Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar”. A presença do Deus que se faz criança, simples e próxima, renova nossa convicção de que nenhuma escuridão é definitiva e que a esperança é força transformadora para quem caminha em busca do bem comum. Por isso, reafirmamos que nenhum projeto político pode se sobrepor à vida, ao respeito à pessoa humana, à justiça social e ao cuidado com a casa comum.

Reiteramos a sacralidade da vida humana, desde a concepção até seu fim natural. Ela é o primeiro dos direitos, dom gratuito de Deus, e não pode ser relativizada ou negociada. Por isso, manifestamo-nos firmemente contra qualquer iniciativa de legalização do aborto no Brasil. Defender a vida, contudo, implica também lutar contra a fome, a miséria e a desigualdade. Defender a vida significa criar condições para que “todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).




A democracia, com sua exigência de diálogo, suas instituições, seus freios e contrapesos, é patrimônio do povo brasileiro e precisa de cuidado e promoção. Embora imperfeita, ela é terreno fértil onde a justiça e a verdade podem se abraçar (cf. Sl 85,10) e florescer. Como discípulos e discípulas de Jesus Cristo, somos chamados a ser testemunhas credíveis e exemplares, artesãos da paz, construtores de pontes, promotores da caridade política e da responsabilidade social. A nação precisa reencontrar o caminho da pacificação, do diálogo e do respeito mútuo!

Desejamos e trabalhamos pela paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, por um mundo e por um ser humano pacificados e reconciliados no amor (cf. Ef 2,14), a fim de concretizar o sonho de Jesus Cristo, expresso de modo tão belo por Dom Helder Câmara: “Sem esperança, temos as mãos e os pés amarrados. Somos escravos sem perspectiva de libertação”. Não caminhamos na escuridão; somos peregrinos de esperança!

Que a luz do Menino Deus ilumine nossas famílias, comunidades e nação. Que o Natal acenda em nossos corações a coragem de recomeçar, e que o ano de 2026 nos encontre firmes no testemunho cristão, com o desejo de mudar o mundo, empenhados na oração, nutridos pela Palavra e pela Eucaristia. Que a Mãe Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, nos acompanhe nesta travessia.”

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