O JPMorgan adotou uma postura negativa em relação às ações brasileiras diante da proximidade das eleições presidenciais de outubro. O banco reduziu sua recomendação para o mercado acionário do país de “overweight”, que representa uma exposição acima da média, para “neutra”.
A mudança faz parte da revisão da estratégia do banco para a América Latina no segundo semestre de 2026. Segundo os analistas, a incerteza política deve aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros durante o período eleitoral.
Na avaliação da instituição, o cenário continuará desafiador independentemente de quem vencer a disputa presidencial. O próximo governo terá pela frente juros reais elevados e um quadro fiscal ainda pressionado.
“Com as eleições de outubro provavelmente levando a uma reprecificação da volatilidade — e as ações e o real ainda bastante presos a uma faixa de negociação — preferimos ficar de fora a pagar pela incerteza”, escreveram os analistas liderados por Rodolfo Angele.
O banco também aponta fatores econômicos que justificam a postura mais conservadora. Entre eles estão a proximidade do encerramento do ciclo de redução dos juros, a perda de ritmo da atividade econômica e uma deterioração nas condições do mercado de crédito.
“O ciclo de afrouxamento monetário está chegando ao fim, o crescimento desacelera e o ciclo de crédito piora”, afirmaram os estrategistas do JPMorgan.
Mesmo com a redução da exposição recomendada ao Brasil, o banco não abandonou completamente as oportunidades no mercado acionário. A instituição continua identificando potencial em empresas consideradas de maior qualidade, especialmente companhias exportadoras e negócios menos dependentes da economia doméstica.
Em relação à política monetária, o JPMorgan projeta mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em setembro. Depois disso, a expectativa é de manutenção dos juros até o segundo trimestre de 2027.
A instituição também diminuiu sua estimativa para o principal índice da Bolsa brasileira. A projeção para o Ibovespa no encerramento de 2026 passou de 190 mil para 185 mil pontos. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Bloomber Lineas; infoMoney)

