Corinthians vê cenário de terra ‘quase arrasada’ após Lula proibir bets

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O Corinthians esperava ter pelo menos 90 dias para se preparar financeiramente para o fim da atuação das casas de apostas no Brasil. O intervalo, considerado necessário para reorganizar contratos e buscar novas fontes de receita, não foi incluído na medida provisória assinada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira (25).

A partir da publicação da MP no Diário Oficial da União, as plataformas ficam impedidas de receber novos depósitos. Com isso, o clube paulista passou a avaliar imediatamente os reflexos da decisão, principalmente sobre o acordo com a Esportes da Sorte, atual patrocinadora máster do Corinthians.

Segundo apuração do UOL, a avaliação interna do clube era de que três meses seriam suficientes para reduzir os efeitos da mudança e encontrar alternativas para compromissos financeiros já assumidos. A ausência desse período de transição aumentou a preocupação dentro do clube, que classifica o cenário como de “terra quase arrasada”.

O Corinthians também espera que o governo petista considere os possíveis efeitos da medida sobre o futebol brasileiro. A principal preocupação é a redução do mercado de patrocínios, já que, na avaliação da diretoria, não existem atualmente empresas em número suficiente para substituir, no curto prazo, os valores desembolsados pelas casas de apostas.

Internamente, o clube trabalha com a possibilidade de uma retração nos contratos de patrocínio superior à observada depois que a Caixa Econômica Federal deixou de investir no futebol. Em 2018, último ano antes do encerramento dos acordos, o banco estatal destinou R$ 191,7 milhões aos clubes.

No Corinthians, a parceria com a Caixa havia terminado em abril de 2017. Foram 21 meses sem uma empresa ocupando de forma fixa o principal espaço da camisa até a chegada do BMG, no início de 2019.

Na avaliação corintiana, a entrada das empresas de apostas transformou o mercado de patrocínios esportivos. As bets passaram a disputar os espaços mais valorizados dos uniformes e contribuíram para elevar os valores dos contratos firmados pelos clubes.

Ainda não há, porém, uma estimativa de quanto esses acordos passarão a valer depois da saída das casas de apostas. O Corinthians acompanha o comportamento do mercado desde o começo do ano, quando já havia percebido uma redução na procura das empresas do setor pelos clubes.

Estudos internos apontavam que oito equipes da Série A iniciaram 2026 sem patrocinador máster. Além disso, clubes que chegaram a estabelecer como meta contratos próximos de R$ 80 milhões precisaram diminuir suas expectativas diante da falta de interessados.

No caso do Corinthians, o maior ponto de atenção é justamente o vínculo com a Esportes da Sorte. Renovado em fevereiro, o contrato tem validade até dezembro de 2029 e estabelece R$ 150 milhões por temporada, podendo atingir R$ 200 milhões caso sejam cumpridas metas esportivas e comerciais.

Para 2026, o clube assegurou R$ 160 milhões em valores fixos após incorporar ao acordo uma verba que originalmente seria destinada a ações de marketing. Parte dos recursos foi utilizada em iniciativas publicitárias relacionadas à renovação do contrato do atacante Memphis Depay.

Outra parcela do patrocínio foi antecipada pelo Corinthians para ajudar no pagamento dos salários registrados do elenco e da comissão técnica masculina antes do confronto com o Estudiantes, pelas quartas de final da Libertadores. A partida terminou com derrota do clube paulista e consequente eliminação da competição.

A antecipação ocorreu depois que a CBF recusou um novo pedido do Corinthians para receber receitas futuras. A operação resolveu necessidades imediatas de caixa, mas também diminuiu os recursos disponíveis para os meses seguintes.

O clube ainda possui valores pendentes relacionados a direitos de imagem e premiações e, segundo a apuração, não conta neste momento com receitas garantidas suficientes para cobrir os próximos compromissos.

A medida provisória também atinge uma verba que já fazia parte do planejamento financeiro corintiano. Esses recursos eram considerados importantes para preservar o fluxo de caixa ao longo da temporada.

A avaliação da direção é que o problema não ficará restrito ao Corinthians. O clube estima que aproximadamente 15 equipes da elite do futebol brasileiro possam enfrentar dificuldades para manter a folha salarial depois da restrição às casas de apostas. A preocupação é maior entre times que já recorrem a parcelamentos, empréstimos e antecipações de receitas para cumprir suas obrigações.

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