O Governo Lula, por meio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), negou, na sexta-feira (24), os pedidos de visto feitos por dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam viajar a Brasília para reuniões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro.
Os funcionários americanos Riley M. Barnes, secretário-assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel D. Samson, secretário-assistente adjunto do mesmo departamento, haviam solicitado autorização para entrar no Brasil para discutir temas ligados à liberdade de expressão no contexto das eleições.
Segundo informações apuradas por veículos de imprensa, o governo petista tomou conhecimento no dia 20 de julho da intenção do Departamento de Estado americano de enviar os representantes para encontros com autoridades ligadas ao sistema eleitoral. A previsão era que eles conversassem sobre questões envolvendo democracia e liberdade de expressão durante o período eleitoral.
A decisão do Itamaraty ocorreu após uma análise interna que considerou o momento político da visita. O pedido de entrada no país foi apresentado um dia antes de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, questionar a segurança das urnas eletrônicas brasileiras durante um encontro com embaixadores realizado em Brasília, em 21 de julho.
No evento, promovido pelo The Brazilian Report e pela Novo Selo Comunicação, Flávio mencionou documentos atribuídos à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) sobre alegadas irregularidades eleitorais na Venezuela e afirmou que equipamentos produzidos pela empresa Smartmatic — citada nos relatórios norte-americanos — também seriam utilizados no Brasil.
A declaração foi contestada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que afirmou que a empresa Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ou sistemas de votação para as eleições brasileiras.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro avaliaram que a missão americana poderia acabar sendo utilizada politicamente em um cenário pré-eleitoral. A suspeita aumentou porque, embora o pedido formal de visto indicasse reuniões com autoridades eleitorais brasileiras, representantes da Embaixada dos Estados Unidos teriam sinalizado interesse em um encontro dos dois funcionários com Flávio Bolsonaro. Essa reunião, porém, não aparecia na documentação apresentada ao governo brasileiro.
A intenção da viagem foi revelada pelo jornal americano Washington Post, em reportagem publicada na sexta-feira (24), assinada por Marina Dias, Terrence McCoy e Samantha Schmidt. Segundo o veículo, o governo do presidente Donald Trump planejava enviar representantes ao Brasil para levantar questionamentos sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro antes das eleições de outubro.
A negativa dos vistos pelo Itamaraty, no entanto, ocorreu antes da publicação da reportagem do jornal americano. Os dois funcionários fazem parte do Departamento de Estado dos Estados Unidos, órgão liderado pelo secretário Marco Rubio, e atuam em uma área voltada a temas de democracia, direitos humanos e trabalho. (Foto: divulgação; Fonte: O Globo; Poder360)

