Nos bastidores do poder, especialmente em ano eleitoral, praticamente tudo ganha dimensão política. Uma decisão judicial, uma investigação em andamento ou até a produção de um filme podem ultrapassar o campo original em que surgem e passar a ser interpretados como peças de um tabuleiro maior, onde cada movimento pode influenciar narrativas, desgastar adversários ou reforçar estratégias de grupos em disputa.
É nesse ambiente de alta sensibilidade institucional que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu nessa quinta-feira (25), quem será o relator do caso ‘Dark Horse’ no STF.
Assim, Fachin decidiu encaminhar ao ministro André Mendonça a análise do pedido de investigação relacionado ao financiamento privado do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Bolsonaro (PL).
A medida foi tomada após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e avaliação técnica do próprio Supremo, que identificaram vínculo entre a nova solicitação e outros procedimentos já sob responsabilidade de Mendonça.
Na decisão, Fachin explicou que os fatos apresentados na notícia-crime possuem relação com investigações que já tramitam no gabinete do ministro. Diante disso, determinou a redistribuição do caso por prevenção — mecanismo utilizado pela Corte para manter processos de temas semelhantes sob responsabilidade do mesmo relator.
A definição ocorreu um dia após o presidente do STF solicitar à Secretaria Judiciária esclarecimentos sobre os critérios aplicados na distribuição do processo. Em resposta, o setor informou que outros procedimentos envolvendo recursos destinados ao filme já estão sendo conduzidos por André Mendonça.
A solicitação de investigação foi apresentada pelo deputado federal petista Lindbergh Farias (PT-RJ) dentro do inquérito que analisava a atuação internacional do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Na petição encaminhada ao Supremo, o parlamentar pediu a ampliação das apurações para incluir supostas ligações entre o financiamento do filme Dark Horse e alegadas negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Com a redistribuição definida por Fachin, caberá agora ao ministro André Mendonça avaliar o pedido apresentado e decidir se haverá abertura de investigação, além de analisar as demais medidas solicitadas pelo deputado. E mais: Valdemar se manifesta após vídeo de Michelle. Clique AQUI para ver. (Foto: STF; Itatiaia)
