EUA defendem soberania norte-americana sobre as Américas

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (11) um vídeo de pouco mais de cinco minutos que coloca a influência americana sobre o Hemisfério Ocidental no centro da política externa do país. A produção também recupera a Doutrina Monroe e apresenta Donald Trump como seu mais recente defensor.

A peça acompanha uma narrativa histórica que começa na independência americana e percorre diferentes momentos da atuação dos Estados Unidos nas Américas. Ao longo do vídeo, são citados personagens como James Monroe, Richard Olney, Theodore Roosevelt, John F. Kennedy e Ronald Reagan, apresentados como figuras importantes na aplicação ou defesa da doutrina.

A mensagem está alinhada à estratégia externa adotada pelo governo Trump. Em dezembro de 2025, a administração americana apresentou sua Estratégia de Segurança Nacional, que incorporou o chamado “Corolário Trump”, proposta que busca recolocar a Doutrina Monroe como referência para a atuação dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe.

O retrospecto começa com a Revolução Americana, ocorrida entre 1775 e 1783, e a Declaração de Independência de 4 de julho de 1776. O material também menciona a guerra de 1812 contra o Reino Unido e destaca o temor existente naquele período em relação à “interferência de impérios estrangeiros no Novo Mundo”.

Em seguida, o vídeo chega à declaração feita pelo presidente James Monroe ao Congresso americano em 1823, considerada a origem da doutrina que recebeu seu nome.

“Os continentes americanos, pela condição livre e independente que assumiram e mantêm, não devem, daqui em diante, ser considerados como objetos de futura colonização por quaisquer potências europeias.”

Segundo a narrativa apresentada pelo Departamento de Estado, aquela declaração estabeleceu uma das bases mais duradouras da política externa dos Estados Unidos no continente.

A produção ressalta que, inicialmente, a Doutrina Monroe tinha caráter predominantemente defensivo e buscava impedir novas intervenções ou projetos coloniais de países europeus nas Américas. O roteiro afirma, porém, que esse entendimento mudou nas décadas seguintes.

“Mas a partir de 1895, o secretário de Estado Richard Olney invocou a doutrina e declarou que os Estados Unidos eram, na prática, soberanos no Hemisfério Ocidental, exigindo que a Grã-Bretanha aceitasse uma arbitragem americana.”

O vídeo relaciona essa mudança à ampliação da presença dos Estados Unidos na região. A Guerra Hispano-Americana também é citada, com a expulsão da Espanha de Cuba e a incorporação de Porto Rico ao domínio americano. Na avaliação apresentada pela produção, os acontecimentos fizeram com que Washington passasse a atuar como uma potência imperial e consolidasse sua influência sobre o Caribe.

Outro personagem destacado é Theodore Roosevelt, responsável pelo chamado Corolário Roosevelt, que ampliou a interpretação da Doutrina Monroe e passou a ser utilizada como justificativa para intervenções americanas em países latino-americanos.

O roteiro também aborda a separação do Panamá da Colômbia, movimento apoiado pelos Estados Unidos, que posteriormente garantiu aos americanos o direito de construir, operar e proteger o Canal do Panamá.

Outro episódio lembrado é a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962. O Departamento de Estado descreve o confronto entre Washington e Moscou como um dos momentos mais perigosos da história contemporânea e afirma que os “13 dias do mais perigoso confronto da história da humanidade terminaram com o recuo soviético e a retirada dos mísseis de Cuba”.

A narrativa então avança até o período atual. Trump é apresentado como o mais recente presidente a defender os princípios da doutrina e a ideia de que os Estados Unidos devem manter posição predominante no Hemisfério Ocidental.

“Avançando para a era moderna, a doutrina encontrou seu mais recente defensor no presidente Trump”, afirma o vídeo.

A produção também menciona a operação de captura de Nicolás Maduro na Venezuela e utiliza uma declaração feita por Trump após a ação para reforçar a atual política de Washington.

“Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado.”

No encerramento, o Departamento de Estado sustenta que a Doutrina Monroe atravessou diferentes administrações e períodos históricos, mantendo influência sobre a política externa americana por mais de dois séculos.

“O que começou como uma advertência às potências europeias evoluiu para uma estrutura de domínio regional — uma doutrina que continua sendo, até hoje, uma pedra angular da estratégia americana no hemisfério”, conclui a produção.

 

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