Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou nesta terça-feira (26) a decisão dos Estados Unidos de cancelar o visto do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Durante uma reunião ministerial em Brasília, o petista classificou a medida como “vergonhosa” para o governo norte-americano e não para o ministro.
“Eu acho que é vergonhoso para eles e não para você. Eu acho que você deve ter orgulho. E saber o seguinte, o que você fez que fez com que os caras tivessem tanto ódio do Brasil que chegasse a suspender o visto do nosso ministro da Justiça”, declarou Lula.
A informação sobre a revogação do visto foi divulgada inicialmente pelo jornalista Paulo Figueiredo. Segundo ele, além de Lewandowski, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) também foi atingido pela decisão.
A assessoria de Lewandowski informou que não recebeu notificação oficial, mas Lula confirmou a medida durante o encontro com ministros.
“Eu queria dizer ao companheiro Lewandowski da minha solidariedade e do governo a você por conta do gesto irresponsável dos Estados Unidos de cassarem o teu visto. Na verdade, eu acho que eles estão deixando de receber uma personalidade da tua competência, da tua capacidade”, reforçou o presidente.
Lula ampliou as críticas, chamando a atitude de Washington de “inaceitável”. Para ele, a decisão não afeta apenas o ministro da Justiça, mas outras autoridades brasileiras que também sofreram restrições semelhantes.
Nos últimos meses, os EUA já haviam revogado vistos da esposa e da filha de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, além de ex-integrantes da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), funcionários e ex-funcionários do governo brasileiro. A justificativa oficial foi a participação no programa Mais Médicos.
Outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram alvos. Gilmar Mendes, decano da Corte, teve o visto suspenso e chegou a brincar com o episódio durante o lançamento de um livro em 6 de agosto. Mais recentemente, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou que determinou a revogação imediata do visto de Alexandre de Moraes, além de “seus aliados no Tribunal e familiares”. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Poder360)

