Extremista de esquerda é condenada na Alemanha

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A alemã Daniele Klette, apontada pelas autoridades como ex-integrante da organização extremista de esquerda Facção Exército Vermelho (RAF), foi condenada nesta quarta-feira (27) a 13 anos de prisão pelo Tribunal Regional de Verden, no norte da Alemanha. A sentença envolve seis acusações relacionadas a roubos qualificados, extorsões e outros delitos praticados entre 1999 e 2016.

Hoje com 67 anos, Klette rejeita ter participação no assalto a um carro-forte ocorrido em Cremlingen, na Baixa Saxônia, considerado o principal caso analisado no processo.




Na ação criminosa, homens armados dispararam contra os seguranças da empresa de transporte de valores e fugiram com € 1,3 milhão, equivalente a cerca de R$ 7,57 milhões (em valores de hoje).

Apesar de não haver mortos durante o ataque, um dos vigilantes sofreu uma grave crise de ansiedade e acabou morrendo posteriormente em um hospital psiquiátrico. A defesa da acusada sustenta que o julgamento teve caráter político e contesta as provas apresentadas.

Segundo o Ministério Público alemão, os assaltos atribuídos ao grupo tinham como objetivo financiar a vida clandestina de antigos integrantes da RAF, organização que aterrorizou a Alemanha durante o século passado. Outros dois suspeitos ligados aos crimes, Burkhard Garweg e Ernst-Volker Staub, seguem foragidos e continuam sendo procurados pela polícia.




A Facção Exército Vermelho ganhou notoriedade pelos atentados promovidos entre as décadas de 1970 e 1990. Conhecida também como grupo Baader-Meinhof, em referência a seus fundadores, a organização é responsabilizada por ao menos 34 mortes em ações terroristas.

Entre os episódios mais lembrados estão o sequestro de um avião da Lufthansa, realizado por terroristas palestinos que exigiam a libertação de membros presos do grupo, em 1977, e o assassinato de Alfred Herrhausen, então CEO do Deutsche Bank, em 1989.

Embora a RAF tenha divulgado, em 1998, um manifesto anunciando o abandono da luta armada, autoridades alemãs acompanharam durante anos a movimentação de antigos integrantes.




Em 2001, promotores chegaram a investigar a possibilidade de um ressurgimento do grupo após análises identificarem DNA de Klette e Staub em outro assalto ocorrido em Duisburg. Na época, porém, o Ministério Público afirmou que não havia sinais de retomada das atividades terroristas, mas sim operações destinadas a manter fugitivos escondidos.

Klette foi localizada em 2024 após um jornalista canadense utilizar inteligência artificial para comparar fotografias antigas com imagens encontradas na internet. Ela acabou identificada em uma publicação nas redes sociais ligada a um grupo de capoeira em Berlim.

De acordo com a imprensa alemã, a ex-militante vivia no bairro de Kreuzberg, região conhecida pelo ambiente alternativo e pela forte presença de imigrantes. No local, adotava a identidade brasileira de Cláudia Ivone.




Quando foi presa, policiais encontraram no apartamento da acusada um passaporte italiano falsificado, centenas de milhares de euros em dinheiro, um quilo de ouro e um arsenal que incluía um fuzil Kalashnikov, uma metralhadora e uma arma antitanque.

Na reta final do julgamento, a ex-integrante da RAF afirmou lamentar o sofrimento causado às vítimas, embora não tenha admitido culpa pelas acusações. Segundo ela, os traumas seriam consequência do ‘capitalismo e do imperialismo’.

Além da condenação atual, Klette ainda deverá enfrentar novos julgamentos ligados a crimes atribuídos ao grupo no início dos anos 1990.

Mesmo distante do auge da violência política registrada no país décadas atrás, autoridades alemãs seguem monitorando ações de grupos radicais de esquerda. Neste ano, uma organização chamada Vulcan reivindicou a destruição de uma torre de energia que deixou regiões de Berlim sem eletricidade por vários dias. Até o momento, os responsáveis pelo ataque não foram identificados. E mais: Urgente: Justiça barra ‘Times Square’ de São Paulo. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Folha de SP)

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