O cineasta Miguel Viveiros de Castro, de 49 anos, foi detido por autoridades israelenses enquanto integrava a Flotilha Global Sumud, uma missão humanitária que navegava em direção à Faixa de Gaza.
A família, que inicialmente acreditava em seu desaparecimento, recebeu a confirmação da prisão nesta quarta-feira (2). A informação foi repassada por Marta Viveiros de Castro, madrasta do cineasta, à coluna de Carlos Madeiro, do UOL.
Miguel estava a bordo do barco Catalina, interceptado no bloqueio realizado por tropas de Israel. Outros tripulantes também foram presos. Ao todo, segundo relatos, 15 brasileiros participavam da iniciativa e estariam entre os detidos. O nome do cineasta, no entanto, não aparecia na lista inicial divulgada.
Marta contou que o último contato com Miguel foi por volta das 21h (horário de Brasília), no dia anterior. Após isso, ele não deu mais sinais.
“Eles tinham um protocolo de jogar o celular no mar quando fossem presos. E tínhamos um combinado que, antes de jogar no mar, dissesse uma palavra. Nada disso aconteceu. Também tinha um protocolo que seria divulgar um vídeo se identificando e avisando que estavam sendo presos. Isso também não tivemos”, afirmou, antes de saber que o enteado havia sido capturado.
Em Israel, o feriado nacional dificultou a comunicação, mas há expectativa de que uma delegação brasileira visite os detidos já nesta quinta-feira.
Antes da confirmação da prisão, familiares de Miguel divulgaram uma carta pedindo que o caso fosse tratado como ‘sequestro’.
O documento dizia: “A incerteza é devastadora. É uma forma de sofrimento que destrói por dentro, que impede a família de respirar, que torna cada minuto uma tortura. O governo brasileiro precisa estar à altura da gravidade deste crime. Não basta lamentar nem negociar nos bastidores. É preciso denunciar, cobrar em instâncias internacionais, exigir clareza e responsabilizar o Estado de Israel pelo ataque à Flotilha e pela prisão de cidadãos brasileiros”. A carta foi assinada pelo pai e pela madrasta do cineasta.
Em nota, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Tel Aviv mantém contato constante com as autoridades israelenses para prestar “a assistência consular cabível aos nacionais, conforme estabelece a Convenção de Viena sobre Relações Consulares”.
Ainda nesta manhã, o chanceler Mauro Vieira se reuniu com parlamentares e representantes da sociedade civil para discutir medidas diante da prisão dos brasileiros. (Foto: reprodução; Fonte: UOL)

