A Corte de Apelação de Roma decidiu nesta quinta-feira (27) adiar a primeira audiência do processo que avalia a extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).
A parlamentar foi condenada pela Primeira Turma do STF a dez anos de prisão por participação na invasão hacker aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela nega e acusa o hacker Walter Delgatti.
A sessão, inicialmente prevista para as 9h (horário de Brasília), foi remarcada para 4 de dezembro, às 13h, após pedido dos advogados da deputada — que aderiram à greve nacional da categoria. (continua)
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(segue) Segundo apuração do UOL, o adiamento faz parte da estratégia da defesa, que busca prolongar a permanência da parlamentar em território italiano. Caso seja extraditada, o tempo já cumprido na prisão da Itália poderá ser abatido da pena no Brasil.
Zambelli chegou ao tribunal por volta das 7h (horário de Brasília), vestindo calça jeans, moletom azul-marinho e tênis. Esta seria a primeira audiência destinada a analisar o pedido do governo brasileiro para que ela seja enviada de volta ao país.
A deputada está detida desde 29 de julho na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, onde cumpre prisão cautelar após seguir para a Europa logo depois de sua condenação no caso do CNJ. Antes, ela esteve nos EUA.
No pedido de extradição encaminhado às autoridades italianas, o governo petista incluiu também outra sentença: em agosto, o STF condenou Zambelli, por 9 votos a 2, a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de ‘porte ilegal de arma’ e ‘constrangimento ilegal’ com uso de arma de fogo.
O Ministério Público italiano disse que os processos envolvendo a deputada ‘não têm natureza política’ e respeitam integralmente as ‘garantias legais’.
Para o procurador Erminio Carmelo Amelio, porém, a alegação de perseguição por motivos de opinião “não encontra respaldo”. Em documento enviado à Corte de Apelação, ele declarou que “não se verificam as condições previstas para a recusa do pedido de extradição”, inclusive no que diz respeito a possíveis “atos persecutórios de natureza política”.
A defesa rebate a avaliação. O advogado italiano Pieremilio Sammarco classificou o parecer do MP como “gravemente lacunoso”, dizendo que o documento ignora “anomalias” que, segundo ele, ocorreram nos processos contra a parlamentar no Brasil.
Paralelamente ao processo de extradição, Zambelli também enfrenta consequências políticas. O STF determinou a cassação de seu mandato, mas a perda do cargo ainda depende de deliberação da Câmara dos Deputados, que deve decidir se confirma ou não a sentença. E mais: França apresenta nova estratégia militar diante de ‘ameaças crescentes’; saiba qual (Foto: reprodução; Fonte: UOL)

