O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou hoje (24) o envio do porta-aviões ‘USS Gerald R. Ford’ ao mar do Caribe com o objetivo de reforçar operações contra o tráfico de drogas na América Latina.
A informação foi confirmada pelo Pentágono em postagem do porta-voz Sean Parnell, que disse nas redes sociais que a missão visa “monitorar e desmantelar atividades e atores e atividades ilícitas”.
O navio, apontado pelos Estados Unidos como o mais avançado de sua classe, está em trânsito a partir do Mediterrâneo rumo à área de responsabilidade do Comando Sul, que abrange, entre outros, Venezuela e Brasil — além de outros 29 países da América Central e do Sul.
Segundo o anúncio oficial, a presença do porta-aviões integrará esforços para identificar e neutralizar ações de grupos envolvidos com o tráfico transnacional.
O deslocamento ocorre um dia depois do presidente Donald Trump ter anunciado a possibilidade de incursões terrestres contra cartéis de drogas. O chefe do Executivo foi citado pelo Pentágono defendendo a ideia de combater o que chamou de “narcoterrorismo”:
“combater o narcoterrorismo em defesa da Pátria”, diz trecho citado pela pasta. Até o fechamento desta reportagem, Trump — que está a caminho da Malásia — não havia comentado publicamente a movimentação do porta-aviões.
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Em paralelo às declarações, fontes oficiais informaram que os Estados Unidos realizaram recentemente o 10º ataque no Caribe contra uma embarcação apontada como ligada ao tráfico: seis pessoas morreram e, segundo o secretário de Defesa norte-americano, a embarcação atuava para o cartel Tren de Aragua.
O USS Gerald R. Ford é o navio-chefe da classe Ford e foi entregue à Marinha dos EUA em 2017. Fabricado pela Newport News Shipbuilding, o porta-aviões mede cerca de 333 metros de comprimento por 41 metros de bordo, desloca aproximadamente 100 mil toneladas e pode ultrapassar 30 nós (56 km/h).
A embarcação suporta até 90 aeronaves entre caças e helicópteros e abriga uma tripulação de cerca de 4,5 mil militares, o que a torna um dos maiores navios de guerra em operação. Entre seus sistemas, estão lançadores de mísseis antiaéreos, defesas de proximidade, metralhadoras e propulsão nuclear; o navio também conta com um sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves e equipamentos avançados de parada. Em outubro de 2023, a embarcação chegou a ser enviada a Israel após ataques do Hamas.
A presença do porta-aviões amplia a capacidade de projeção de poder e vigilância na região, mas também eleva o nível de atenção entre países latino-americanos — sobretudo a Venezuela — que já manifestaram preocupação com movimentos militares americanos próximo a suas águas.
Na Casa Branca, Trump afirmou ainda, em entrevista a jornalistas, que não vê necessidade de uma declaração formal de guerra contra redes criminosas e disse: “Bem, não acho que vamos necessariamente pedir uma declaração de guerra. Acho que vamos apenas matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país. Certo? Vamos matá-las”.

