O artista italiano Salvatore Garau voltou a chamar atenção do público e da crítica após a repercussão de uma de suas criações mais inusitadas: uma escultura invisível vendida por cerca de R$ 87 mil.
Batizada de “Io Sono” (Eu Sou), a obra não possui forma física e foi “exposta” em um espaço vazio de 1,5 metro por 1,5 metro. O comprador recebeu apenas um certificado de autenticidade — e nada mais.
Garau argumenta que a escultura existe no campo das ideias, pois é composta por “ar e espírito”. A peça foi originalmente leiloada em 2021 por 15 mil euros, mas voltou a ganhar notoriedade depois que o perfil britânico Pubity, com mais de 40 milhões de seguidores, publicou um vídeo sobre a obra. A postagem ultrapassa 1 milhão de curtidas e reacendeu discussões sobre o conceito de arte contemporânea.
No documento de autenticidade emitido pelo artista, lê-se: “Escultura imaterial para ser colocada em um espaço livre de qualquer obstáculo. Dimensões variáveis, aproximadamente 200 x 200 cm. Obra acompanhada de certificado de autenticidade emitido pelo artista. Obra registrada sob o número IM5. Procedência: coleção particular, Milão. Estimativa: 12 mil – 16 mil euros.”
Para Garau, o vazio é o elemento essencial de sua criação. Segundo ele, é a ausência de matéria que estimula a percepção, o desconforto e a reflexão — e isso, por si só, já constitui arte.
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A provocação lembra outro caso que gerou repercussão mundial: em 2023, uma banana colada na parede com fita adesiva foi arrematada por R$ 35 milhões na casa de leilões Sotheby’s.
A obra, chamada “Comediante”, é de autoria do também italiano Maurizio Cattelan e ficou conhecida por questionar o valor simbólico e comercial da arte moderna.
O comprador, o empresário chinês Justin Sun, fundador da plataforma de criptomoedas Tron, declarou: “Isso não é apenas arte. Representa um fenômeno cultural que cria pontes entre os mundos da arte, dos memes e da comunidade das criptomoedas.” Ele afirmou ainda que pretendia “comer pessoalmente a banana como parte desta experiência artística única”.
Inspirado pela polêmica, o artista plástico brasileiro René Machado produziu uma versão satírica batizada de “Vendo maçã a preço de banana”, na qual reproduziu a instalação da banana colada na parede, acrescentou uma maçã e escolheu como trilha sonora a música “Otário”, do grupo Exalta Samba.
O gesto irônico, publicado nas redes sociais, transformou a crítica em performance — e manteve viva a discussão sobre o que realmente pode ser considerado arte.
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