A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nessa quinta-feira (11) uma série de requerimentos para aprofundar as investigações sobre o escândalo dos descontos ilegais em aposentadorias.
Entre os alvos está o ex-presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, que comandava a instituição quando as irregularidades foram expostas. Ele terá seus sigilos bancário e telemático quebrados, além de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre suas movimentações financeiras.
Os parlamentares também autorizaram pedidos contra o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), onde o irmão do presidente Lula, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, atua como vice-presidente. No total, a comissão decidiu avançar sobre dados bancários, fiscais e telemáticos de mais de cem pessoas e entidades supostamente envolvidas.
Embora os ex-ministros da Previdência Carlos Lupi e José Carlos Oliveira (que agora utiliza o nome Ahmed Mohamed) tenham ficado de fora da lista após acordo político, Ahmed será monitorado por meio de seus registros de visitas a gabinetes na Câmara. A comissão também aprovou a solicitação de relatórios financeiros sobre sua filha e sócia, Yasmin Ahmed Hatheyer Oliveira.
Outro alvo é Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, acusado de articular o esquema. Já o empresário Maurício Camisotti, inicialmente poupado, acabou incluído após atualização da lista, com quebras de sigilo, relatórios do Coaf e registros de presença em gabinetes parlamentares.
Além de indivíduos, as entidades Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), junto a seus dirigentes, também serão investigadas.
Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), mais de 400 pedidos estavam na pauta, mas governo e oposição fecharam acordo para aprovar apenas aqueles relacionados diretamente ao esquema de descontos.
O caso foi revelado pelo portal Metrópoles e confirmado por apurações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, que apontaram desvios de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 por meio da cobrança irregular de mensalidades de associações em aposentadorias. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

