Cineasta brasileira é detida e pode ser deportada dos EUA

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O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) informou que a cineasta brasileira Bárbara Marques, residente em Los Angeles desde 2018, continuará sob custódia até sua deportação para o Brasil.

Em comunicado à Folha de S.Paulo, o órgão declarou que Marques “é uma estrangeira em situação irregular” e que “não possui documentos de imigração válidos que a autorizem a estar ou permanecer legalmente nos Estados Unidos”.

De acordo com o ICE, a brasileira foi presa em 16 de setembro por ter permanecido no país após o vencimento do visto obtido em suas entradas anteriores, em março de 2018 e novembro de 2019.

A agência acrescentou que um juiz de imigração já determinou sua deportação, ressaltando ainda que “estrangeiros em situação irregular agora enfrentam uma possibilidade muito real e iminente de serem localizados, presos e deportados pelo ICE”, em meio ao que chama de “um compromisso renovado com a lei e a ordem liderado pelo presidente [Donald] Trump e pela secretária [de segurança interna Kristi] Noem”.

O marido da cineasta, Tucker May, rebateu a versão oficial e relatou que o casal estava em um encontro relacionado ao processo de obtenção do green card de Marques quando, segundo ele, um funcionário teria usado como pretexto uma impressora quebrada para afastá-la do advogado e efetuar a prisão.

Ele também afirma que a brasileira não havia sido notificada de uma audiência de imigração. Em nota enviada à reportagem, May declarou que a família está “aguardando informações oficiais e atualizadas sobre o processo judicial em curso”.

“O advogado que atua na causa interpôs um recurso para defesa dos direitos da Bárbara, uma vez que ela seguiu todos os trâmites legais e apresentou aos órgãos competentes todos os documentos necessários para emissão do ‘green card’. Aguardamos, com muita confiança na Justiça, uma decisão”, completou.

Natural do Espírito Santo, Bárbara Marques estudou cinema no Rio de Janeiro e, depois, artes cênicas em Los Angeles. Sua carreira inclui curtas-metragens como Amor (2018), inspirado no diagnóstico de Alzheimer de seu avô, e Basement (2021), um filme de terror rodado com elenco americano.

Ela também dirigiu Cartaxo (2020), documentário sobre a homenagem à atriz Marcélia Cartaxo no Los Angeles Brazilian Film Festival, onde também foi exibido Pacarrete, vencedor do Festival de Gramado de 2019.

Desde a prisão, Marques passou por centros de detenção em três estados diferentes. Inicialmente levada para uma unidade em Adelanto, na Califórnia, depois foi transferida para o Arizona e, por fim, para a Louisiana, onde estaria aguardando o último passo antes de uma possível deportação. Segundo May, a cineasta e outros detidos chegaram a ficar mais de 12 horas sem alimentação durante o período em custódia. (Foto: reprodução; Fonte: Folha de SP)

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