O Exército Brasileiro firmou em 4 de agosto um contrato no valor de R$ 18 mil com a fintech BK Instituição de Pagamento S.A., conhecida como BK Bank, para fornecimento de máquinas de cartão destinadas à Biblioteca do Exército. A reportagem é da Folha de SP.
A parceria, válida por um ano, previa a utilização dos equipamentos nas vendas de livros em lojas físicas, feiras e no site oficial da instituição.
Poucas semanas após a assinatura, em 28 de agosto, a BK Bank passou a ser alvo de operações da Polícia Federal e do Ministério Público, acusada de atuar como “banco paralelo” do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Receita Federal aponta que a fintech teria movimentado sozinha cerca de R$ 46 bilhões em transações não rastreáveis entre 2020 e 2024. Parte desses recursos estaria relacionada à venda clandestina de metanol desviado, inserido no mercado formal por meio de “contas-bolsão”, mecanismo que dificulta o rastreamento da origem do dinheiro.
Em nota à Folha, o Exército informou que abriu um ‘processo administrativo’ após tomar conhecimento das investigações e da comunicação feita pela própria empresa sobre o bloqueio de suas contas, o que inviabilizou o contrato.
A Força militar justificou ainda que a contratação começou como pregão eletrônico, mas foi convertida em dispensa eletrônica por recomendação da Consultoria-Geral da União, devido ao baixo valor.
Segundo a instituição militar, a BK Bank apresentou toda a documentação exigida e ofereceu a proposta mais vantajosa entre as analisadas.
Já a fintech, representada pelo escritório Fernando José da Costa Advogados, afirmou que foi surpreendida ao ser incluída nas operações e que “colabora integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação” e é “devidamente autorizada, regulada e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil e conduz todas as suas atividades com total transparência, observando rigorosos padrões de compliance”.
Com sede em Barueri (SP), a empresa é apontada pelos investigadores como peça-chave em um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado ao PCC, especialmente por meio do setor de combustíveis adulterados. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

