A missão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Washington terminou em críticas à atuação da diplomacia brasileira. Empresários que participaram dos encontros nos Estados Unidos afirmaram à CNN que a Embaixada do Brasil se tornou alvo de insatisfação por não apresentar avanços nas tratativas contra o tarifaço imposto pelo governo americano.
Segundo relatos, em mais de uma reunião com o corpo diplomático, a embaixadora Maria Luiza Viotti não teria apresentado sinais de negociações em andamento e chegou a pedir que os próprios empresários ajudassem a interceder junto às autoridades dos EUA. Viotti teria respondido que “era um soldado”, reforçando que apenas cumpre as orientações do Itamaraty.
A embaixadora também destacou que seria necessário aguardar a conclusão da investigação 301, processo aberto pelo governo americano para apurar práticas comerciais do Brasil.
Os empresários, no entanto, avaliaram que esse caminho seria longo demais, com previsão de término apenas no fim de 2025 ou até em 2026, e destacaram que setores econômicos dos EUA, como o agronegócio, vêm aproveitando a situação para pressionar contra o país.
A avaliação dos representantes da indústria foi de que a missão foi “improdutiva, infrutífera e frustrante”, revelando a ausência de uma presença oficial mais efetiva do Brasil na capital americana. Entre as sugestões levantadas, estão a realização de uma cúpula presidencial entre os dois países e até medidas de retaliação, como ameaças de quebra de patentes.
Fontes do Itamaraty, por outro lado, afirmam que Viotti tem se dedicado desde o início da crise, mas não pode “fazer milagres” diante da resistência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em abrir diálogo. Segundo essas fontes, responsabilizar apenas a embaixadora não seria justo, já que outros atores políticos também atuam no tema, como o deputado Eduardo Bolsonaro.
A CNN informou que procurou o Itamaraty para um posicionamento oficial da embaixadora, mas ainda não obteve resposta. (Foto: EBC; Fonte: CNN)

