Setor de calçados fala em ‘danos irreversíveis’ e demissões após tarifa dos EUA

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quarta-feira (30) a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, por meio de uma ordem executiva.

A medida entra em vigor no dia 6 de agosto e inclui uma lista de 694 itens isentos, como fertilizantes, minerais, insumos da aviação civil e suco de laranja. Contudo, os calçados ficaram fora da lista de exceções, o que acendeu o alerta na indústria brasileira.

Segundo a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), a nova tarifa pode ter consequências devastadoras para o setor, que tem nos Estados Unidos seu principal mercado externo. A entidade afirma que o impacto direto pode resultar em prejuízos nas exportações e no fechamento de milhares de postos de trabalho.

“Temos empresas cuja produção é integralmente enviada ao mercado externo, a maior parte para os Estados Unidos. Essas empresas terão produtos muito mais caros do que os importados da China, por exemplo, que pagam uma sobretaxa de 30%. Estamos falando, neste primeiro momento, de uma perda estimada em cerca de 8 mil empregos diretos”, declarou o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira.

No primeiro semestre de 2025, conforme os dados da associação, o Brasil exportou US$ 111,8 milhões em calçados aos EUA, o equivalente a 5,8 milhões de pares, com crescimento de 7,2% em valor e 13,5% em volume em comparação ao mesmo período de 2024. Os EUA respondem por mais de 20% do faturamento total das exportações do setor calçadista brasileiro.

Apesar de diversas tentativas de negociação para preservar a relação comercial, a Abicalçados afirma que os avanços nas tratativas foram limitados, e a exclusão do setor da lista de isenções foi um duro golpe.

Diante do cenário, a entidade se articula com autoridades federais e estaduais para mitigar os efeitos da medida. Entre as propostas estão:
– Ampliação do Reintegra, que devolve parte dos tributos pagos por exportadores;
– Criação de linhas de crédito para cobrir o Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) com juros compatíveis aos praticados no exterior;
– Liberação imediata dos créditos de ICMS acumulados;
– Reedição do BEm (Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda).

Segundo Ferreira, medidas urgentes serão necessárias para proteger as empresas exportadoras brasileiras. “Estamos diante de uma mudança que coloca em risco a competitividade da nossa indústria e a sobrevivência de milhares de famílias”, concluiu. (Foto: PixaBay; Fonte: PEGN)

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