Ministro de Lula diz que retaliações a EUA não serão apenas econômicas

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O governo Lula prepara uma resposta robusta à decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos nacionais. A medida, anunciada pelo presidente americano Donald Trump, gerou forte reação em Brasília.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, classificou a situação como inaceitável e afirmou neste domingo (13) que o Brasil está articulando uma reação firme.

“Se essa taxa se mantiver, nós vamos aplicar a reciprocidade com várias medidas. Não serão só apenas taxas, outras medidas serão adotadas. Nós já começamos a discutir e até o final do mês nós vamos deixar tudo pronto para, caso essa medida seja confirmada, a gente possa agir. O Brasil não ficará de cabeça baixa, não ficará refém”, disse Costa à CNN.

O plano de resposta está sendo conduzido por um comitê interministerial coordenado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, com a participação dos ministérios da Fazenda, Relações Institucionais, Itamaraty e Casa Civil. As ações devem ser anunciadas até o dia 1º de agosto, data em que as tarifas impostas por Washington entram em vigor.

Além da retaliação comercial, Rui Costa criticou duramente a forma como Trump comunicou a medida — por meio da rede social Truth Social — e a justificativa dada, que incluiu apoio público ao ex-presidente Bolsonaro.

“Todo mundo achava que um hacker tinha invadido a conta do presidente americano, porque isso nunca aconteceu na história da diplomacia. A carta sequer chegou oficialmente, seja por e-mail, fax ou fisicamente. Para mim, ela nem existe”, declarou o ministro.

Rui também acusou os Estados Unidos de adotarem uma postura inaceitável nas relações internacionais. “Ou o Brasil liberta alguém que responde a processo criminal, ou será penalizado com sanções que atingem a população, empresários e a economia. Isso é inaceitável. O Brasil é soberano e não se submeterá a ameaças.”

O ministro ainda fez críticas ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde maio. “O que me entristece é ver brasileiros eleitos pelo povo trair o seu povo e defender outra nação em detrimento do nosso país”, lamentou.

A Casa Branca, por sua vez, sustentou que a medida visa proteger a economia norte-americana. O conselheiro econômico Kevin Hassett afirmou, em entrevista à emissora ABC, que Trump decidiu impor as tarifas diante de frustrações com a postura comercial do Brasil.

“O presidente americano tem autoridade para impor as tarifas se acreditar que as ações e políticas do Brasil são uma ameaça à segurança nacional”, disse.

Segundo Hassett, o objetivo da taxação é estimular a produção interna dos EUA e abrir espaço para negociações. “Bem, essas tarifas são reais se o presidente não conseguir um acordo que considere bom o suficiente”, afirmou. “Mas, sabe, as conversas estão em andamento e veremos como a poeira se acomoda”, completou. (Foto: EBC; Fonte: CNN)

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