Vorcaro intermediou ingressos VIP para filhos de Moraes em jogo do Atlético-MG

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Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que o ex-dono do Banco Master acionou uma funcionária da instituição para conseguir ingressos VIP para os filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma partida do Atlético-MG.

O episódio envolveu Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos de Moraes com a advogada Viviane Barci de Moraes, e aparece no relatório produzido pela PF a partir do conteúdo apreendido no telefone do banqueiro. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.

A conversa ocorreu em 12 de maio de 2024. Naquele dia, Vorcaro escreveu para Ana Matos, que trabalhava no setor de marketing do Banco Master, avisando que a filha de Moraes entraria em contato.

“Filha alexandre moraes vai te chamar aí”, escreveu. Logo depois, identificou Giuliana e fez um pedido direto: “Arruma pra ela”. A funcionária respondeu: “Pode deixar”.

Ana então encaminhou informações sobre uma partida entre Atlético-MG e Grêmio, disputada na Arena MRV, em Belo Horizonte. À época, um fundo administrado pelo Banco Master estava entre os investidores da SAF do Atlético-MG, enquanto Vorcaro fazia parte do conselho de administração do clube.

Posteriormente, o banqueiro informou à funcionária que Giuliana havia conseguido um ingresso VIP, mas queria ficar ao lado do irmão, Alexandre, que não possuía um bilhete da mesma categoria. Vorcaro pediu que os dois fossem colocados juntos.




“Ela recebeu VIP 1, ótimo. Será que consegue sentar com o irmão que não é VIP”, escreveu. Na sequência, reforçou a orientação: “Coloca os irmãos juntos”. Depois, acrescentou: “Coloca eles em boa mesa”. Ana respondeu que verificaria onde o irmão estava acomodado.

O relatório da PF não esclarece quem custeou os ingressos nem quanto eles teriam custado. A investigação também não apresenta, nesse episódio específico, detalhes sobre eventual pagamento feito por Vorcaro ou pelo Banco Master.




As informações fazem parte de um relatório de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal após a análise do celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero. Deflagrada em novembro de 2025, a operação investigou suspeitas de irregularidades envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso durante a primeira fase da operação.

O documento foi produzido a pedido de André Mendonça com o objetivo de identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento relacionada ao banqueiro.




A PF entregou o relatório ao Supremo em 27 de agosto de 2026. Parte das mensagens analisadas utilizava o recurso de visualização única do WhatsApp, o que impede, em alguns casos, a reconstrução completa das conversas.

Essa limitação também aparece nos diálogos mantidos com um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Como algumas respostas não puderam ser recuperadas, a PF conseguiu identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não necessariamente o conteúdo das respostas recebidas.

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