Urgente: PGR Paulo Gonet pediu a Vorcaro para bancar ida do filho para Londres, diz PF

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Um relatório da Polícia Federal trouxe à tona mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o advogado Ciro Soares, que, segundo os investigadores, se apresentava como um interlocutor do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os registros fazem parte do inquérito que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a PF, Soares encaminhava a Vorcaro mensagens e fotografias nas quais aparecia ao lado de Gonet, além de atuar em tratativas relacionadas à participação de autoridades em eventos patrocinados pelo Banco Master. Um dos episódios investigados envolve um fórum jurídico realizado em Londres, entre 24 e 26 de abril de 2024.

O evento, chamado 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, ocorreu no hotel The Peninsula, de cinco estrelas, e teve financiamento do Banco Master. Segundo informações citadas no relatório, a programação incluiu uma degustação do uísque Macallan, cujo custo teria alcançado US$ 640.831,88, valor equivalente a cerca de R$ 3,3 milhões na cotação de setembro de 2026.

As conversas analisadas pela PF indicam que Soares mantinha contato direto com Vorcaro e afirmava transmitir solicitações de Gonet. Em 15 de março de 2025, por exemplo, o advogado enviou ao banqueiro uma fotografia em que aparecia ao lado do procurador-geral e pediu que Vorcaro entrasse em contato. Na mensagem, afirmou: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Na sequência, Vorcaro teria telefonado para Soares.

Dias depois, em 28 de março, o advogado informou ao banqueiro que Gonet viajaria com o grupo que participaria de um evento em Londres. No dia seguinte, Soares questionou se o filho do procurador-geral poderia acompanhar a comitiva.




Vorcaro respondeu autorizando a participação. Posteriormente, uma funcionária do Banco Master encaminhou ao banqueiro uma lista de convidados e perguntou quem poderia viajar com as despesas custeadas pela instituição.

Vorcaro não autorizou o pagamento para todos os nomes apresentados, mas aprovou especificamente a viagem de Ciro Soares e do filho de Gonet. A orientação consta de uma resposta enviada pelo banqueiro à funcionária: “Pedro e ciro ok”.




As tratativas continuaram nos meses seguintes. Em 19 de junho de 2025, Soares comunicou a Vorcaro que “PG confirmou a ida pra Londres”, utilizando as iniciais para se referir a Paulo Gonet. Na mesma conversa, voltou a perguntar se Pedro, filho do procurador-geral, também poderia participar da viagem. Mais uma vez, recebeu do banqueiro uma resposta afirmativa: “Óbvio”.

O material veio a público em meio à divulgação de outros elementos da investigação envolvendo Vorcaro. O inquérito também reúne mensagens e informações sobre a relação do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes, além de contatos mantidos com diferentes autoridades e pessoas próximas ao meio jurídico e político.




A investigação da PF busca esclarecer o contexto dessas relações, os benefícios eventualmente oferecidos pelo Banco Master e a natureza das intermediações feitas por pessoas que mantinham contato com autoridades. As mensagens, isoladamente, não estabelecem que Gonet tenha participado diretamente das negociações descritas pelo advogado ou que tenha cometido alguma irregularidade.

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