Um avião da LATAM que seguiria do Aeroporto Internacional de São Paulo para Lisboa, em Portugal, abortou a decolagem em alta velocidade na noite deste domingo (15). A manobra ocorreu quando a aeronave já ultrapassava os 300 km/h na pista e o trem de pouso dianteiro havia perdido contato com o solo.
O voo LA8146 era operado por um Boeing 777-300ER, modelo com capacidade aproximada para 400 passageiros. A companhia não informou o número de pessoas a bordo, mas a rota costuma operar próxima do limite máximo de peso e ocupação. Apesar da forte desaceleração, não houve registro de feridos.
A rejeição de decolagem faz parte dos protocolos de segurança da aviação e pode ocorrer tanto por decisão dos pilotos quanto por indicação automática dos sistemas da aeronave, quando algum parâmetro foge do padrão.
O que chamou atenção neste caso foi o momento da manobra, registrada na pista 10L de Guarulhos por volta das 19h50, supostamente após a chamada V1, conhecida como “velocidade de decisão”.
De acordo com áudios da comunicação entre a torre de controle e a cabine, a interrupção da decolagem teria sido motivada por alertas no painel da aeronave. Uma das suspeitas levantadas envolve a elevação da temperatura do motor número 1, localizado no lado esquerdo do avião.
Pelos procedimentos-padrão, após ultrapassar a V1, mesmo diante de anormalidades, o recomendado é prosseguir com a decolagem e lidar com a emergência em voo. Isso ocorre porque, em velocidades muito elevadas, a aeronave pode não conseguir parar antes do fim da pista. No caso do voo da LATAM, a rejeição ocorreu a cerca de 330 km/h, o equivalente a 178 nós.
Antes de qualquer decolagem, os pilotos recebem informações precisas sobre as velocidades críticas da operação, incluindo a V1 e a VR, a chamada “velocidade de rotação”, quando o manche é puxado para elevar o nariz do avião e iniciar o voo.
A aeronave, de matrícula PT-MUH, conseguiu parar ainda na pista, mas teve os pneus esvaziados — procedimento considerado normal em situações de frenagem extrema. Um sistema de segurança atua automaticamente, fazendo com que fusíveis térmicos derretam devido ao calor excessivo, liberando o ar dos pneus para evitar o risco de estouro.
Após a parada, equipes de resgate e da Brigada de Incêndio foram acionadas e se dirigiram ao local, conforme previsto nos protocolos de segurança aeroportuária.
O incidente ocorreu após um período de paralisação nas operações de Guarulhos causado por sobrevoos de drones nas proximidades da cabeceira da pista. Em razão disso, dezenas de voos tiveram de ser alternados para outros aeroportos, como Viracopos, Galeão e Confins. (Fonte e foto: R7)
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— AEROIN (@aero_in) February 15, 2026

