O vereador petista Senival Moura foi preso durante uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil após ser apontado em investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.
De acordo com o relatório final do inquérito, o parlamentar teria desempenhado papel central ao permitir que a empresa de transportes Transunião fosse utilizada como estrutura para movimentações financeiras clandestinas relacionadas à facção criminosa.
Segundo os investigadores, Senival exercia forte influência nas decisões da empresa, mesmo sem ocupar oficialmente qualquer cargo na administração. O documento afirma que ele atuava como uma espécie de autoridade superior dentro da companhia e, em diversas situações, teria a palavra final sobre decisões importantes.
A Polícia Civil sustenta que o vereador “instrumentalizou a Transunião para a operacionalização de um sistema financeiro clandestino”, mecanismo que teria servido para dar suporte econômico a pessoas ligadas ao PCC.
As apurações também identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas. Um levantamento realizado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou cerca de R$ 2,4 milhões em operações sem origem identificada atribuídas ao parlamentar.
Segundo a investigação, os dados levantaram suspeitas de incompatibilidade patrimonial. Os investigadores afirmam ter localizado imóveis avaliados em mais de R$ 1,8 milhão, além de uma propriedade rural de alto padrão em Extrema, em Minas Gerais.
De acordo com a polícia, os bens encontrados seriam incompatíveis com a renda declarada do vereador, cujo salário no Legislativo paulistano gira em torno de R$ 26 mil mensais.
Além de Senival, a operação também prendeu Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, apontado como diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, chamado de “Sapo”, descrito como homem de confiança do parlamentar.
Os dois já respondem a processo relacionado ao assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, morto em 2020. O homicídio foi justamente o ponto de partida das investigações que resultaram na operação denominada Última Parada.
Segundo o Ministério Público, provas reunidas durante a apuração indicam que a empresa teria sido utilizada para movimentar recursos de origem ilícita. A investigação aponta que a companhia recebeu aproximadamente R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte em 2025.
Por decisão judicial, foram determinados bloqueios de aproximadamente R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados e à empresa. A medida também alcançou 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
A Justiça ainda determinou o afastamento da atual direção da empresa e comunicou a Prefeitura de São Paulo para adoção de medidas administrativas, incluindo a possibilidade de intervenção na operação do serviço, com o objetivo de garantir a continuidade do transporte público aos passageiros.
Até a publicação desta reportagem, a defesa do vereador informou que preparava uma nota oficial sobre o caso. A liderança do PT na Câmara Municipal e a empresa Transunião ainda não haviam se manifestado. E mais: Michelle rompe com Flávio Bolsonaro e dispara série de críticas em vídeo público. Clique AQUI para ver. (Foto: Divulgação/Rede Câmara; Fonte: Folha de SP)

