O ex-ministro da Economia Paulo Guedes fez críticas contundentes à condução econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em participação no evento Corban360, realizado em São Paulo nesta sexta-feira (17), o economista afirmou que o atual mandato tem sido marcado por expansão de gastos e flexibilização fiscal.
Segundo Guedes, o cenário atual contrasta com o período anterior, quando, em sua avaliação, havia maior rigor nas contas públicas.
“Nós tínhamos uma política fiscal forte. Quando o fiscal é forte, a moeda é suave e os juros são baixos. Você muda a dose e bota um fiscal frouxo agora. Como o fiscal está frouxo, o freio monetário começa a ser puxado”, declarou.
O ex-ministro também comparou os níveis de despesas públicas.
“Somos uma geração que pagou pela guerra da Covid e deixou a situação melhor ainda para nossos filhos e netos. Este governo já gastou mais do que nós gastamos durante a pandemia, só que hoje não tem pandemia. Mudou a dose. O fiscal era forte e esse juros baixos deixavam a economia crescer”, acrescentou.
Dados do Banco Central do Brasil indicam que a dívida pública federal, que era de 73,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim de 2022, chegou a 79,2% em fevereiro de 2026. Conforme Guedes, esse avanço está diretamente ligado à condução fiscal do governo.
Ele também apontou impactos sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano.
“Os juros vão lá em cima e começam a destruir tudo: investimento privado, crédito, consumidor. Começa a estraçalhar uma indústria nova que estava surgindo”, afirmou.
Apesar das críticas, Guedes descartou qualquer retorno à vida pública. Segundo ele, não há intenção de disputar cargos ou integrar futuros governos. “Não tenho a menor chance de entrar em política. Zero chance”, disse.
A declaração ocorre em meio a especulações sobre o cenário eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro chegou a afirmar, recentemente, que pretende manter a linha econômica adotada por Guedes caso dispute e vença a eleição presidencial.
“Não tem por que antecipar agora, mas na parte econômica é importante deixar claro: o presidente Bolsonaro tinha uma necessidade de anunciar com antecedência quem seria o ministro da Economia, porque havia uma dúvida de para onde a economia iria no possível governo Bolsonaro. Eu não tenho essa preocupação porque todo mundo sabe que vou dar continuidade ao que o Paulo Guedes começou a fazer com o país”, declarou. (Foto: EBC; Fonte: Metrópoles)

