Trump dá recado a Lula na ONU ao citar carteis da América do Sul

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), para endurecer o tom contra cartéis de drogas e organizações criminosas que atuam no continente americano. Trump comparou esses grupos ao Estado Islâmico e afirmou que Washington pretende ampliar o emprego de força contra eles.

Ao tratar do combate ao narcotráfico, Trump afirmou que os cartéis representam uma ameaça que exige uma resposta militar mais contundente.

O presidente declarou que pretende reafirmar o poder dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental e citou operações realizadas recentemente pela administração americana.

“Como o ISIS, eles devem ser mortos, exilados ou detidos como combatentes inimigos, sem possibilidade de libertação”. Veja ao fim da reportagem.

A fala faz parte de uma política adotada pelo governo Trump de ampliar a atuação contra organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas. Em junho, Washington incluiu oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras.

Trump também mencionou a chamada iniciativa “Escudo das Américas”, criada em março com o objetivo de coordenar ações entre países do continente contra cartéis e redes criminosas transnacionais. A coalizão foi apresentada pelo governo americano como uma estrutura de cooperação militar e de segurança para combater o tráfico de drogas e outras organizações criminosas.

A estratégia já vinha sendo acompanhada de ações militares americanas contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. Em seu discurso na ONU, Trump também citou a operação que levou à captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro como parte da política de segurança adotada por Washington na região.

O discurso ocorreu pouco depois da fala de Luiz Inácio Lula da Silva na mesma assembleia. O petista falou em soberania dos países da América Latina e criticou a possibilidade de interferência militar estrangeira no combate ao crime organizado.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou Lula. Em outro trecho, defendeu que o enfrentamento ao narcotráfico ocorra por meio de cooperação internacional, especialmente com medidas destinadas a atingir as finanças das organizações criminosas, e não pela presença militar estrangeira em território brasileiro.

Embora Trump não tenha citado Lula nominalmente durante seu pronunciamento, a diferença entre as posições apresentadas pelos dois presidentes ficou evidente.

 

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