A fabricante de armas Taurus cogita encerrar suas operações no Brasil e transferir toda a produção para os Estados Unidos, após o anúncio do ex-presidente Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre as importações de armas brasileiras.
A medida, que entra em vigor no dia 1º de agosto, preocupa a companhia, que tem no mercado americano sua principal fonte de receita.
Em 2024, 87 de cada 100 armas produzidas pela Taurus foram vendidas para os EUA, o que representou 83% de sua receita líquida. Embora tenha uma fábrica em Bainbridge, na Geórgia, apenas 24% das armas vendidas nos EUA são fabricadas lá. A maior parte ainda depende da produção no Brasil — e, principalmente, do envio de peças brasileiras.
A possível saída da Taurus teria impacto direto na economia de São Leopoldo (RS), onde fica sua principal planta industrial. O CEO da empresa, Salesio Nuhs, estima que até 15 mil empregos possam ser perdidos com a transferência, incluindo 3 mil vagas diretas.
Em entrevista ao site local Berlinda, ele foi enfático: “Se realmente perdurar essa questão da taxação de 50%, várias empresas e vários segmentos no Brasil ficarão inviabilizados. Ela não significa simplesmente diminuir margem. Significa inviabilidade total. Não existe margem que possa cobrir uma taxação de 50%”.
Nuhs também criticou duramente a atuação do governo brasileiro diante da crise: “A nossa maior preocupação é a falta de habilidade do governo brasileiro em negociar essa situação com os Estados Unidos”, afirmou. E completou:
“Essa falta de habilidade está trazendo uma insegurança jurídica muito grande para os empresários do Brasil e uma insegurança para o trabalhador, que pode perder seu emprego simplesmente porque o governo não conseguiu negociar”.
Segundo Trump, a taxação é uma retaliação ao tratamento dado ao ex-presidente Bolsonaro pela Justiça brasileira, no processo em que ele é acusado de tentar um golpe de Estado; também há acusações de violação à liberdade de expressão.
A dependência da Taurus em relação ao mercado americano é tamanha que, segundo o Berlinda, cerca de R$ 520 milhões em exportações de São Leopoldo estão atreladas ao setor, o que corresponde a 4,7% do PIB do município. Um eventual fechamento da fábrica poderia levar a uma recessão regional e demissões em massa.
Caso a produção fosse realocada, os custos trabalhistas nos EUA poderiam reduzir significativamente a margem da empresa. No último trimestre de 2024, a Taurus registrou margem bruta de 36%, superior às principais concorrentes americanas — a S&W teve 24% e a Ruger, 23%.
Outro ponto levantado por especialistas é a estrutura verticalizada que a Taurus possui no Brasil, com áreas integradas de pesquisa, metalurgia e siderurgia, o que torna a operação local mais eficiente e difícil de ser replicada fora do país. (Foto: PixaBay; Fonte: BBC; G1; Berlinda)
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