A economia da China registrou sua segunda desaceleração consecutiva no terceiro trimestre, com alta de 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais divulgados nesse domingo (19).
O resultado confirma o ritmo mais lento de expansão em um ano e reforça os sinais de enfraquecimento provocados pela crise imobiliária e pela renovada tensão comercial com os Estados Unidos.
Entre julho e setembro, o crescimento chinês ficou abaixo da meta de 5% estabelecida pelo governo e inferior aos 5,2% do segundo trimestre e aos 5,4% do primeiro. Apesar disso, o crescimento trimestral de 1,1% superou as previsões do mercado, que esperavam avanço de apenas 0,8%, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas.
A fragilidade da demanda interna tem obrigado o governo a manter o foco nas exportações e na indústria manufatureira, o que, segundo analistas, acentua os desequilíbrios estruturais da economia chinesa. O aumento das tarifas impostas por Washington e o risco de novas medidas retaliatórias colocam ainda mais pressão sobre Pequim para lançar novos estímulos econômicos.
Em setembro, a produção industrial cresceu 6,5% em relação a 2024 — o melhor resultado em três meses —, superando a projeção de 5%. Já o varejo avançou apenas 3%, mostrando perda de fôlego frente ao crescimento de 3,4% em agosto.
Embora os indicadores ainda apontem expansão, exportadores chineses relatam queda nas encomendas e buscam diversificar mercados diante das tarifas elevadas impostas pelos EUA.
O cenário comercial se agravou após o presidente Donald Trump ameaçar, novamente, impor tarifas de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro, além de novos controles de exportação de softwares críticos.
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Hoje, a taxa média efetiva sobre importações chinesas nos EUA está em 58%, segundo o Instituto Peterson de Economia Internacional, enquanto a tarifa média aplicada por Pequim é de 32%.
Trump justificou a medida como resposta à “posição extraordinariamente agressiva” da China, que recentemente anunciou restrições à exportação de terras raras — elementos essenciais para a fabricação de chips, turbinas e veículos elétricos. As novas regras exigem autorização do governo chinês para exportar ímãs e produtos que contenham até pequenas quantidades dessas substâncias.
O impacto já aparece nas estatísticas: em setembro, as exportações chinesas de ímãs de terras raras caíram 6,1% em relação a agosto, passando de 6.146 para 5.774 toneladas. No acumulado dos três primeiros trimestres de 2025, a retração chega a 7,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Enquanto isso, o governo de Xi Jinping realiza, entre esta segunda e quinta-feira, uma reunião a portas fechadas para discutir o 15º plano quinquenal de desenvolvimento, que deve priorizar a manufatura de alta tecnologia como resposta à crescente rivalidade com os Estados Unidos.
Apesar das dificuldades, Pequim insiste que o país mantém “forte resiliência e vitalidade” — expressão usada pelo Escritório Nacional de Estatísticas — e credita o desempenho atual às políticas de estímulo implementadas desde o fim do ano passado.
Ainda assim, economistas alertam que a dependência das exportações e o desaquecimento interno tornam cada vez mais desafiador o objetivo de sustentar o crescimento próximo de 5% em 2025. (Foto: PixaBay; Fonte: Folha de SP)
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