Tarifa dos EUA atinge em cheio setor madeireiro e provoca demissões

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O aumento da tarifa aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começa a gerar efeitos imediatos no setor florestal do Paraná. Em Curiúva, a Depinus Indústria e Comércio de Madeiras de Pinus Ltda confirmou, na segunda-feira (4/8), a dispensa de 23 dos 50 empregados.

“O motivo é a paralisação de toda nossa venda para o mercado dos EUA”, disse o proprietário, Paulo Bot, ao Agro Estadão.

Ele explicou que cerca de 90% da receita da empresa vem das exportações de painéis e molduras feitas com madeira reflorestada de pinus e eucalipto.

“Iremos manter ainda mais de 20 funcionários para tentar buscar novos mercados e atender os 10% que nos restaram, que é França, Caribe e um pouco de mercado interno”, afirmou. Segundo ele, se a tarifa for suspensa nos próximos 20 dias, há possibilidade de reintegrar os demitidos.

A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) informa que o setor já vinha se preparando para o impacto. Antes mesmo da oficialização, empresas reduziram estoques, suspenderam exportações para os EUA e concederam férias coletivas.

“A exportação para os Estados Unidos, nosso principal mercado, representa volumes que não podem ser redirecionados de forma rápida a outro mercado. Buscar novos compradores é um trabalho lento, de médio prazo, e muitas vezes exige redução de preços”, destacou o presidente da entidade, Fabio Brun.

Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), ao menos três indústrias já adotaram medidas que afetam trabalhadores. A BrasPine, por exemplo, concedeu férias coletivas a 1,5 mil funcionários — 60% de seu quadro — nas unidades de Jaguariaíva e Telêmaco Borba, após o cancelamento e adiamento de diversos pedidos.

Dados da Apre mostram que, em 2024, o Paraná exportou mais de US$ 681 milhões em produtos florestais para os EUA, sendo US$ 627 milhões apenas em madeira.

O estado é líder nas vendas externas de compensado, madeira serrada e molduras de pinus, com grande participação também na exportação de portas, painéis e móveis. “É uma notícia muito ruim. Justamente no que o Paraná é bom, onde se destaca, vamos ser taxados de forma muito forte e veemente”, lamentou Brun.

Para mitigar os prejuízos, o setor pretende apresentar ao governo estadual um pacote de medidas, incluindo crédito subsidiado via BRDE para pagamento de salários, antecipação de créditos de ICMS e programas que incentivem o uso da madeira em novas aplicações. (Foto: divulgação; Fonte: Estadão)

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