Imagens de um Ssangyong Kyron preto sendo retirado do estacionamento de um shopping em cima de um guincho viralizaram nas redes sociais nos últimos dias.
A cena marcou mais um desdobramento de uma história que se arrasta há anos no Anashopping, centro comercial localizado em Anápolis (GO), e que ganhou notoriedade primeiro na cidade e depois em todo o país graças à internet.
A permanência prolongada do veículo no local tem origem em uma disputa judicial. Conforme consta em um processo já encerrado pela Justiça, o caso teve início em 2015, quando a proprietária, hoje com 68 anos, adquiriu o SUV de uma loja da cidade.
À época, ela trabalhava como vendedora de roupas. Três anos após a compra, segundo relatou nos autos, o carro passou a apresentar falhas mecânicas e problemas na suspensão.
Proprietários de veículos da marca Ssangyong, especialmente os modelos mais antigos, relatam dificuldades recorrentes para encontrar peças de reposição, situação agravada pela ausência de suporte oficial da montadora no Brasil.
A fabricante sul-coreana, que enfrentou dificuldades financeiras e um processo de recuperação judicial, passou a se chamar recentemente KG Mobility. Já naquela época, a escassez de componentes era um entrave no país.
Após ingressar com ação contra a loja, Clélia deixou o carro em uma vaga do estacionamento do Anashopping, nas proximidades do estabelecimento onde havia comprado o veículo.
A intenção era conseguir a devolução do automóvel ou a troca por outro. O pedido, no entanto, foi negado, já que não foi possível realizar a perícia técnica. Segundo a decisão, a consumidora não entregou a chave ao perito, o que levou o Judiciário a entender o caso como “mero arrependimento” da compra.
A Justiça também considerou que não se tratava de um carro zero-quilômetro, mas de um modelo usado, com cerca de dez anos de fabricação à época do julgamento, cuja aquisição foi feita com a concordância do filho da proprietária.
Com o passar dos anos — oito, no total, desde que o veículo foi deixado no shopping até sua remoção neste mês —, taxas de estacionamento, multas e impostos não pagos se transformaram em uma verdadeira “bola de neve”.
Apenas em débitos administrativos e multas, o Kyron acumula R$ 11.125, valor que inclui IPVA em atraso desde 2019, duas multas registradas em 2015 e licenciamento referente aos anos de 2025 e 2026.
Além disso, há o custo do estacionamento. Na época, a tarifa era de R$ 3 pelas duas primeiras horas, acrescida de R$ 2 por hora adicional, ou R$ 60 a diária.
Segundo levantamento do Portal6, de Anápolis, feito em 2024, somente até 2019 a dívida com o estacionamento já alcançava R$ 35.259. A soma impressiona, especialmente quando comparada ao valor atual do modelo na tabela Fipe: R$ 38.902 para um Kyron 2008/2009.
Sobre o destino do veículo, o UOL Carros entrou em contato com a empresa terceirizada responsável pelo estacionamento do shopping. A informação repassada foi de que o carro apenas foi levado para outro espaço pertencente ao próprio Anashopping, com a finalidade de reduzir a “má impressão” causada pela sua presença prolongada no local.
Não há, no processo judicial, qualquer determinação para que o automóvel fosse encaminhado a um pátio do Detran ou devolvido à residência da proprietária. A juíza da 8ª Vara Cível de Anápolis concluiu que houve, de fato, abandono do veículo por parte da dona. E mais: Lula e presidente do BC tiveram encontro reservado com dono do Master fora da agenda; Saiba mais! (Foto: redes sociais; Fonte: UOL)

