O Senado dos Estados Unidos aprovou, por 52 votos a 48, a revogação da emergência econômica nacional decretada por Donald Trump, que permitiu a criação de uma tarifa de 40% sobre centenas de produtos brasileiros importados desde 6 de agosto.
Somando-se os 10% das chamadas “tarifas recíprocas” instituídas em abril, a sobretaxa total aplicada ao Brasil chega atualmente a 50%. Apesar de a decisão representar um revés político para Trump, não altera de imediato as tarifas, pois a resolução ainda precisa passar pela Câmara dos Representantes — e não há expectativa de votação.
De acordo com a maioria dos senadores, o presidente ultrapassou seus ‘limites constitucionais’ ao impor as taxas apontando que o Brasil promove uma perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro e prejudica empresas de tecnologia norte-americanas por meio de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). (…)
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(…) Um dos autores da proposta, o democrata Tim Kaine, da Virgínia, afirmou em discurso que “as pessoas estão sofrendo” e que “os americanos não deveriam estar pagando mais por seu café matinal ou por seu hambúrguer”, lembrando que boa parte do café e da carne bovina consumidos nos Estados Unidos vem do Brasil.
A proposta teve apoio bipartidário e foi assinada por parlamentares de diferentes siglas, incluindo Rand Paul (Republicano do Kentucky), Chuck Schumer (Democrata de Nova York), Bernie Sanders (Independente de Vermont) e Angus King (Independente do Maine). Cinco republicanos romperam com Trump e votaram pela revogação das tarifas — um gesto raro de desafio ao presidente.
O debate ocorreu em meio ao impasse do governo norte-americano, que enfrenta um mês de paralisação administrativa (shutdown).
Democratas pretendiam também votar medidas semelhantes relacionadas às tarifas impostas ao Canadá e a outros países. A intenção era pressionar Trump em sua política econômica, o que levou o vice-presidente JD Vance a se reunir com senadores republicanos para tentar evitar a derrota.
Vance argumentou que as tarifas garantiam a Trump “grande poder de barganha” em negociações comerciais com países como o Brasil, classificando sua revogação como um “enorme erro”. Mesmo assim, republicanos como Rand Paul, Thom Tillis, Lisa Murkowski, Susan Collins e Mitch McConnell apoiaram a resolução contrária à Casa Branca.
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Em entrevista ao site ‘Politico’, Rand Paul afirmou que “essa política pública ruim” tem prejudicado agricultores norte-americanos em ao menos dez estados.
“A China não está comprando nenhuma soja nossa neste ano. A guerra tarifária com a China levou a isso. E eles [os senadores republicanos] não têm coragem porque o presidente é republicano. E, francamente, eles estão com medo”, declarou o parlamentar, que já vinha sendo criticado por Trump por se opor às medidas econômicas.
O senador Thom Tillis também se posicionou contra a taxação sobre o Brasil, alegando que o país mantém superávit comercial com os EUA. Ele relatou ter recebido uma comitiva de senadores brasileiros em julho, antes mesmo da entrada em vigor das tarifas, e considerou insuficientes as justificativas de Trump — que incluíam Bolsonaro e as big techs.
O líder democrata Chuck Schumer, por sua vez, classificou a medida como “ridícula”. O tarifaço de 40% atinge cerca de 60% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, com destaque para o café e a carne, produtos que têm pressionado a inflação nos Estados Unidos.

