O cenário do varejo brasileiro segue pressionado por um ambiente econômico ainda marcado por juros elevados, crédito restrito e consumo mais cauteloso das famílias.
Nesse contexto, empresas de setores sensíveis ao financiamento e ao comportamento do consumidor têm enfrentado dificuldades crescentes para sustentar margens e manter o equilíbrio financeiro, o que tem levado a uma onda de reestruturações e pedidos de recuperação judicial no país.
O Grupo Toky, controlador das redes Mobly e Tok&Stok, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (12), em meio ao agravamento de sua situação financeira. A decisão foi aprovada em caráter de urgência pelo conselho de administração da companhia em reunião realizada na segunda-feira (11).
Segundo fato relevante divulgado ao mercado, o pedido envolve a holding e suas subsidiárias e foi protocolado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, sob segredo de justiça.
No comunicado, a empresa afirma que enfrenta um “ambiente macroeconômico desafiador para o setor de varejo de móveis e decoração, caracterizado por juros elevados, maior endividamento das famílias e condições de crédito mais restritivas”.
Segundo a administração, esse cenário tem reduzido a confiança do consumidor e levado à postergação de compras, afetando diretamente o desempenho das vendas.
A companhia também aponta que restrições temporárias nos níveis de estoque vêm impactando a liquidez de curto prazo do grupo. Ainda de acordo com o documento, a administração vinha negociando uma reestruturação da dívida da controlada Tok&Stok, mas afirma que o endividamento “persiste e vem se agravando”, o que levou à adoção de medidas mais amplas.
O objetivo da recuperação judicial, segundo o grupo, é preservar as operações, garantir a continuidade dos serviços, proteger o valor da empresa e permitir uma reorganização das obrigações com credores, funcionários, acionistas e demais envolvidos.
O pedido ainda será submetido à ratificação de uma Assembleia Geral Extraordinária, cuja convocação já foi aprovada pelo conselho.
Na véspera da decisão, o grupo já havia comunicado uma mudança relevante em sua estrutura societária. Fundos ligados à SPX Private Equity informaram estar em fase avançada de negociações para venda de participação acionária na companhia. A movimentação levou à renúncia do conselheiro Fernando Porfírio Borges.
O caso ocorre em um momento de alta no número de recuperações judiciais no país, em meio à combinação de juros elevados, crédito restrito e desaceleração do consumo.
A cada mês, mais de 100 empresas entram em recuperação judicial no Brasil. Em 2024, o volume de empresas em recuperação atingiu o maior nível da série histórica, segundo dados do Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian. E mais: Grave: Brasil é o 3º país mais complexo do mundo para negócios em 2026. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: Exame)

