As disputas comerciais envolvendo produtos do agronegócio voltaram a ganhar força no cenário internacional, especialmente em meio ao aumento das exigências ambientais e sanitárias impostas por grandes mercados consumidores.
Nos últimos anos, a União Europeia tem endurecido regras para importação de alimentos, movimento que vem gerando atritos com países exportadores e ampliando preocupações sobre possíveis barreiras comerciais disfarçadas de medidas regulatórias.
Nesta terça-feira (12), a UE publicou uma nova lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco dentro das regras europeias de controle do uso de antibióticos na pecuária.
O Brasil, porém, ficou fora da relação, em uma decisão que pode ampliar tensões comerciais justamente no momento em que o acordo entre Mercosul e UE enfrenta resistência de setores agrícolas europeus.
A lista inclui países como Argentina, Colômbia e México, considerados em conformidade com as exigências sanitárias estabelecidas por Bruxelas.
A União Europeia é atualmente um dos principais mercados para a carne brasileira. Dados do sistema Agrosat, do Ministério da Agricultura, apontam que o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes para os 27 países do bloco em 2025, tornando a UE o segundo maior destino das exportações do setor naquele ano. No total, as vendas externas brasileiras de carnes somaram US$ 31,8 bilhões, lideradas pela China.
Segundo autoridades europeias, o Brasil não foi incluído porque ainda não apresentou garantias consideradas suficientes sobre a não utilização de determinados produtos antimicrobianos na criação animal.
Apesar da exclusão, integrantes da Comissão Europeia indicaram que a lista poderá ser revista futuramente caso o governo brasileiro apresente as informações e adequações solicitadas.
A medida surge em meio à pressão de agricultores europeus — especialmente na França — após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O tratado começou a valer de forma provisória em 1º de maio, mas ainda enfrenta questionamentos jurídicos e políticos dentro do continente europeu.
A divulgação da lista foi vista por analistas como um gesto político de Bruxelas para endurecer o discurso sanitário diante das críticas internas de produtores rurais europeus, que reclamam de concorrência externa.
“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen.
Pelas regras da União Europeia, é proibido o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento ou elevar a produtividade dos animais. A legislação também veta a utilização, na pecuária, de antibióticos considerados essenciais para tratamentos humanos.
As restrições fazem parte da estratégia europeia de combate à resistência bacteriana e de redução do uso considerado excessivo de antibióticos na produção animal. E mais: Dona de duas famosas redes no Brasil pede recuperação judicial. Clique AQUI para ver (Foto: IBGE; Fonte: O Globo)

