A possível data de acordo entre UE e Mercosul após 26 anos de debates

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A aproximação entre o Mercosul e a União Europeia, discutida há mais de duas décadas, ganhou novo impulso. Será que agora vai?

A menos de um ano das eleições presidenciais, o governo petista tenta acelerar a conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, com expectativa de assinatura até 20 de dezembro deste ano, durante a Cúpula do Mercosul, no Rio de Janeiro.

A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após reuniões de Luiz Inácio Lula da Silva com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e com o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, em Belém (PA).




“A presidente da Comissão Europeia reafirmou sua crença e firme esperança de que o acordo seja assinado no final do ano, em 20 de dezembro, no Rio de Janeiro”, declarou Vieira. Segundo ele, as conversas bilaterais realizadas na véspera da Cúpula de Líderes de Belém serviram também para tratar dos últimos ajustes do tratado.

Durante o encontro com Stubb, Lula recebeu o apoio formal da Finlândia para a assinatura do acordo, reforçando o alinhamento político entre os dois blocos. A negociação é tratada como prioridade pelo Palácio do Planalto, já que o Brasil ocupa neste momento a presidência rotativa do Mercosul.

“Ambos os mandatários (Lula e Stubb) apoiaram a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia por ocasião da Cúpula do Mercosul, que será realizada no Rio de Janeiro, em dezembro”, informou o Planalto em nota oficial.




O tratado, em negociação desde 1999, foi anunciado em 2024, mas ainda depende da aprovação formal do Conselho Europeu, que precisa reunir 65% dos votos representando 55% da população da União Europeia.

Essa fase é considerada “complexa e dinâmica”, já que bastaria uma aliança entre França, Polônia e Itália, países que demonstraram resistência, para bloquear o avanço.

Se aprovado, o acordo criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com PIB combinado de US$ 22 trilhões e uma população total de cerca de 700 milhões de pessoas. Em setembro, o Mercosul já havia firmado um pacto semelhante com o Efta (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), reforçando o movimento de integração econômica do bloco sul-americano.

União Europeia x Mercosul: um comparativo econômico e político: a União Europeia (UE) e o Mercosul representam blocos regionais de grande peso, mas com estruturas econômicas e sociais muito distintas. Enquanto a UE reúne 27 países altamente industrializados, com um PIB total superior a US$ 18 trilhões, o Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — soma cerca de US$ 4 trilhões.

A diferença de escala também se reflete no comércio: a UE é responsável por 15% das exportações globais, sendo líder em setores de alta tecnologia, enquanto o Mercosul ainda depende fortemente de commodities agrícolas e minerais. Em compensação, o bloco sul-americano possui grande potencial de expansão, com recursos naturais, energia e alimentos que despertam o interesse europeu.



Politicamente, a UE atua como uma união supranacional, com instituições que definem políticas comuns para seus membros. Já o Mercosul é mais intergovernamental, com decisões que dependem do consenso entre os países. Essa diferença torna as negociações mais lentas e complexas, mas também reflete níveis distintos de integração e desenvolvimento.

Se concretizado, o acordo UE–Mercosul promete reduzir tarifas, impulsionar exportações e fortalecer laços políticos, equilibrando as relações entre os dois lados do Atlântico. Para o Brasil, representaria uma porta de entrada ampliada no mercado europeu e uma chance de reposicionar o país como protagonista no comércio internacional.

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