Quaest: o que foi decisivo para Flávio voltar a colar em Lula

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O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (5), tem relação principalmente com dois movimentos recentes: a reconciliação pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a reação de parte do eleitorado à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu uma visita do parlamentar ao pai, Jair Bolsonaro.

A avaliação é do cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, que afirmou que esses fatores ajudaram a reorganizar a base de apoio da direita e interromperam uma perda de força do candidato do PL.

“Minha leitura é que a direita se reorganiza e o eleitor antipetista voltou a considerar Flávio“, afirmou Nunes. Segundo ele, o senador ampliou sua força especialmente entre eleitores que não se identificam diretamente como bolsonaristas.

“No 2º turno, Flávio sobe de 74% para 81% na direita não bolsonarista e de 91% para 95% entre bolsonaristas”, completou.

De acordo com o levantamento, Lula continua liderando as simulações eleitorais, mas teve sua vantagem reduzida. No primeiro turno, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 30% de Flávio Bolsonaro. Na comparação com julho, Lula caiu um ponto percentual e o senador cresceu dois.

No segundo turno, a diferença também diminuiu. Lula passou de 45% para 44%, enquanto Flávio avançou de 37% para 39%. Considerando o máximo e o mínimo na margem de erro, Lula poderia ter 42% e o senador, 41%.

A pesquisa mostra ainda que a escolha pelo senador é considerada definitiva por 68% dos seus eleitores, contra 62% no levantamento anterior.

Segundo a Quaest, a aproximação entre Flávio e Michelle Bolsonaro teve impacto positivo na percepção dos eleitores. Para 59% dos entrevistados, a reconciliação entre os dois foi positiva. Entre os eleitores bolsonaristas, esse índice chega a 90%, enquanto entre a direita não bolsonarista alcança 88%.

Também cresceu a percepção de que o apoio da ex-primeira-dama pode ser decisivo para a campanha. Atualmente, 46% afirmam que a participação de Michelle aumenta as chances de vitória de Flávio, contra 38% em julho.

Esse efeito é ainda maior entre os segmentos mais alinhados à direita: entre bolsonaristas, a avaliação saltou de 45% para 79%, enquanto entre eleitores da direita não bolsonarista passou de 53% para 70%.

Outro fator apontado por Felipe Nunes foi a repercussão da decisão do STF que proibiu Flávio Bolsonaro de visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação relacionada a uma tentativa de golpe de Estado.

Para 52% dos entrevistados, a decisão judicial foi equivocada, enquanto 41% consideram a medida correta. A percepção de que houve exagero chega a 92% entre bolsonaristas, 83% entre eleitores da direita não bolsonarista e 50% entre independentes.

“A reconciliação reduziu a divisão e a restrição judicial reativou a percepção de exagero institucional. Esse movimento explica melhor a recuperação do que a fala sobre urnas: essas declarações diminuem a chance de voto em Flávio para 26% e aumentam para 15%”, afirmou o CEO da Quaest.

O levantamento também indica uma perda de força de alguns fatores que vinham favorecendo Lula. A percepção positiva sobre o programa Desenrola caiu de 55% para 47%, enquanto a parcela que afirma ter recebido benefício direto recuou de 12% para 10%.

No caso da isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, 30% disseram ter sido beneficiados, ante 32% em julho. Entre esse grupo, aumentou de 39% para 46% a parcela que afirma não ter percebido mudança na renda, enquanto caiu de 24% para 21% o número dos que relatam melhora significativa.

“Os programas não deixaram de ajudar. O que parece ter diminuído é seu efeito marginal: o ganho político adicional que produzem ao longo do tempo. Tanto que a aprovação ficou estável em 48% e a desaprovação em 47%”, avaliou Felipe Nunes.

Outro ponto negativo para Lula, segundo a pesquisa, está relacionado à resposta do governo brasileiro ao aumento de tarifas imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em maio, 39% avaliavam positivamente a reação do Planalto e 36% negativamente. Agora, 43% consideram a resposta ruim e 38% aprovam, levando o saldo de avaliação de +3 para -5.

Fora da disputa polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro, os demais nomes testados ainda não apresentaram crescimento significativo no primeiro turno. O levantamento aponta que 10% dos eleitores permanecem indecisos em busca de uma alternativa. E mais: Flávio Bolsonaro anuncia nome do vice. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Metrópoles)

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