O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, de 47 anos, afirmou que continuará celebrando missas diariamente mesmo após ser declarado excomungado pelo Vaticano por sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). O sacerdote também declarou que não reconhece a validade da punição aplicada pela Igreja Católica.
Conhecido por sua atuação acadêmica e por trabalhos ligados à formação religiosa, Françoá foi ordenado padre em 2004 e construiu uma trajetória como professor de teologia, dirigente de instituição católica e autor de livros sobre espiritualidade e doutrina.
Nascido em Redenção do Gurguéia (PI), em 1979, o sacerdote foi ordenado pela Diocese de Anápolis (GO). Ele possui formação em filosofia, estudos eclesiásticos e doutorado em teologia sistemática pela Universidade de Navarra, na Espanha, considerada uma das instituições de referência no meio católico.
Ao longo de sua carreira, atuou como professor de teologia sistemática, ocupou cargos de direção na Faculdade Católica de Anápolis e exerceu atividades pastorais em comunidades de Goiás e do Distrito Federal. Também produziu conteúdos religiosos na internet e publicou obras voltadas à formação de fiéis.
A aproximação com a FSSPX
Nos últimos anos, Françoá passou a se aproximar da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo tradicionalista fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e que critica parte das mudanças implementadas pela Igreja Católica após o Concílio Vaticano II.
Segundo a Arquidiocese de Brasília, o padre comunicou oficialmente sua adesão à fraternidade em abril de 2025. Após isso, passou a atuar na Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), onde começou a celebrar missas exclusivamente no rito tridentino, também conhecido como rito antigo, marcado pelo uso do latim e por diferenças em relação à liturgia atualmente predominante na Igreja.
Após a confirmação de sua excomunhão, Françoá publicou um vídeo no qual afirmou que sua ligação com a FSSPX não era recente. Ele declarou apoiar as ordenações episcopais realizadas pela organização em 1988 e também as de 2026, além de afirmar que não aceita as mudanças associadas ao Concílio Vaticano II.
O sacerdote também revelou manter contato frequente com dirigentes internacionais da fraternidade. Segundo ele, troca mensagens com o superior-geral da organização, padre Davide Pagliarani, e recebe visitas do responsável pela FSSPX no Brasil, padre Juan María de Montagut.
Françoá afirmou ainda que atualmente se considera um “padre amigo ou associado” da Fraternidade São Pio X e que está em processo de integração ao grupo. Segundo ele, sacerdotes que deixam uma diocese para se aproximar da organização passam por uma etapa de formação antes de uma eventual incorporação definitiva.
Declaração após a excomunhão
Além das celebrações em latim e cursos de formação religiosa, Françoá publica conteúdos nas redes sociais com críticas ao chamado “modernismo” dentro da Igreja Católica e defende a preservação de tradições litúrgicas anteriores ao Concílio Vaticano II.
Em um vídeo divulgado após a punição, o padre afirmou que seguirá celebrando missas e que continua se considerando católico.
“Continuaremos todos os dias a rezar a Santa Missa, a mencionar o nome do Santo Padre no cânon da Missa, a rezar, aqui no caso de Brasília, pelo Senhor Arcebispo de Brasília, consciente de que somos católicos. Não somos nós que temos que justificar nossa catolicidade. São os senhores que têm que justificar a catolicidade dos senhores. Não somos nós que estamos afundados nesse modernismo. Não somos nós que estamos aceitando essas coisas estranhas que infelizmente os senhores terão que justificar”, afirmou.
Motivo da excomunhão
A punição aplicada ao sacerdote não está relacionada a uma conduta pessoal específica, mas à sua adesão formal à Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
No início de julho, o Dicastério para a Doutrina da Fé reafirmou que integrantes da organização estão em situação considerada cismática pela Igreja e que pessoas que aderirem formalmente ao grupo também podem ser enquadradas na mesma condição.
Para a Igreja Católica, o cisma ocorre quando há ruptura da comunhão com o papa ou rejeição da autoridade da Santa Sé.
Mesmo após a decisão, Françoá afirmou que permanecerá celebrando missas e rejeitou a acusação de afastamento da Igreja. A Arquidiocese de Brasília, por outro lado, orientou os fiéis a não frequentarem a Capela Santo Atanásio e declarou que as atividades realizadas no local não possuem autorização oficial.
A situação da FSSPX
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X defende a manutenção da missa tridentina em latim e faz críticas frequentes ao processo de modernização da Igreja Católica.
A organização possui seminários, escolas, mosteiros e centros de formação em diferentes países, além de centenas de sacerdotes e religiosos ligados à sua estrutura.
Embora seus integrantes afirmem permanecer fiéis ao catolicismo, a FSSPX mantém uma situação considerada irregular pela Santa Sé, pois seus ministros não exercem funções reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica. (Foto: reprodução; Fonte: UOL)

