O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria condicionado a divulgação de informações sobre suas relações com autoridades à situação de seu pai, Henrique Vorcaro, que permanece preso. Vorcaro, segundo interlocutor de sua defesa, está convencido de que foi “abandonado para morrer na prisão”, diante de tantos segredos.
Segundo relatos ligados à defesa, o empresário pretende revelar detalhes de seus contatos com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) caso não seja concedida prisão domiciliar humanitária ao pai.
Henrique Vorcaro apresenta problemas graves de saúde e teve um pedido para cumprir a prisão em casa apresentado nesta semana ao ministro André Mendonça. O processo relacionado ao chamado Caso Master, porém, encontra-se paralisado no STF por determinação do presidente da Corte, Edson Fachin.
De acordo com um interlocutor da defesa, Daniel Vorcaro acredita ter sido “abandonado para morrer na prisão”. O empresário estaria convencido de que não existe, neste momento, um ambiente institucional independente que permita uma eventual colaboração premiada, diante das suspeitas e informações que envolvem integrantes dos próprios órgãos responsáveis pela investigação.
As manifestações atribuídas ao ex-banqueiro teriam se intensificado durante sua permanência no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, conhecido como “Papudinha”, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda.
A expectativa é de que Vorcaro também aborde o assunto em seu depoimento marcado para o dia 30. Caso seu pai não obtenha a transferência para a prisão domiciliar, o empresário poderá apresentar informações adicionais sobre os contatos que manteve com integrantes do STF.
Informações de caráter reservado apontam ainda que o ex-banqueiro possuiria fotografias, comprovantes de pagamentos e outros documentos que, segundo pessoas próximas ao caso, poderiam servir para detalhar relações estabelecidas com ministros da Corte e também com integrantes da PGR e da PF.
Mensagens que chegaram ao conhecimento da imprensa recentemente também levantaram suspeitas sobre contatos de Vorcaro com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, além de interlocutores ligados à Polícia Federal. Em uma das conversas atribuídas a esses contatos, teria sido dada a garantia de que “pode cometer [o] crime que for”.
As investigações também alcançam Henrique Vorcaro. Na mesma data em que Daniel prestará depoimento, o pai deverá ser ouvido pela Polícia Federal dentro da apuração sobre uma suposta estrutura denominada “A Turma”. Segundo as suspeitas investigadas, o grupo teria atuado para proteger o ex-banqueiro e intimidar ou pressionar pessoas consideradas adversárias.
O material já divulgado no âmbito das investigações menciona relações de Daniel Vorcaro com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Também surgiram referências a familiares dos ministros Nunes Marques, Gilmar Mendes e Luiz Fux.
Outro episódio sob análise envolve um encontro entre Vorcaro e André Mendonça ocorrido pouco antes de uma decisão do ministro relacionada a negócios do empresário no setor de serviços funerários em São Paulo.
Na véspera, Flávio Dino defendeu o aprofundamento da apuração sobre esse encontro. A manifestação ocorreu porque, no dia seguinte à reunião, Mendonça proferiu voto favorável a operações que poderiam beneficiar uma empresa concessionária de cemitérios da capital paulista.
Anteriormente, Dino havia tomado uma decisão desfavorável ao negócio, que acabou perdendo seus efeitos após o posicionamento de Mendonça. E mais: Vaza foto de Gonet com Vorcaro após PGR dizer que não tinha proximidade com banqueiro. Clique AQUI para ver. (Fonte: Gazeta do Povo; Veja)
