A CPMI do INSS entra nesta semana diante de uma das decisões mais sensíveis desde o início dos trabalhos: definir se leva adiante a convocação de um personagem diretamente ligado às denúncias que movimentam a investigação.
O impasse mobilizou líderes partidários, acendeu alertas no Planalto e reacendeu o debate sobre até onde a comissão está disposta a avançar, mesmo diante das pressões políticas que se multiplicam nos bastidores.
A CPMI do INSS encerrou a sessão desta quarta-feira com um dos embates mais aguardados desde a instalação do colegiado. (continua)
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(segue) O requerimento que pretendia convocar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para prestar depoimento foi derrotado após intensa movimentação da base governista. A votação terminou em 19 votos contrários e 12 favoráveis, sepultando a tentativa da oposição de levar o filho mais velho de Lula ao centro das discussões.
A iniciativa partiu do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que vinha insistindo na necessidade de ouvir Lulinha diante de informações obtidas durante a investigação.
O parlamentar citou movimentações financeiras envolvendo João Muniz Leite, ex-contador da família Lula, e Ricardo Bimbo, dirigente do PT. Conforme os registros anexados ao requerimento, Muniz Leite teria recebido R$ 120 mil de Bimbo — recurso que, segundo a oposição, desperta suspeitas pela origem e pelo contexto dos repasses.
Bimbo, apontado no documento como beneficiário de pagamentos vindos de uma empresa investigada por operar descontos irregulares em benefícios de aposentados, aparece como peça central na argumentação dos oposicionistas.
Para van Hattem, o vínculo entre o dirigente petista, o ex-contador e Lulinha é motivo suficiente para uma convocação urgente. No requerimento, o texto registra que “a coincidência temporal entre os repasses da ADS, os pagamentos realizados por Bimbo e o vínculo direto desse contador com Lulinha é grave e exige esclarecimento imediato”.
Além dessas movimentações, o pedido destacava que Muniz Leite está sob investigação do Ministério Público de São Paulo, acusado de envolvimento em possíveis operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao PCC.
A oposição sustentou que, diante da gravidade das suspeitas, seria imprescindível ouvir Lulinha para esclarecer se houve ou não qualquer conexão entre essas transações e sua atividade pessoal ou profissional.
Mesmo assim, governistas atuaram de forma coordenada para derrubar o requerimento. Integrantes da base afirmaram que a tentativa não passava de uma estratégia política para desgastar o presidente Lula e transferir para a CPMI temas que, segundo eles, extrapolam o escopo da investigação.
Aliados também argumentaram que Lulinha mora atualmente na Espanha, onde desenvolve projetos na área de tecnologia, e que não há indícios concretos que justifiquem uma convocação.
A derrota do pedido gerou protestos entre oposicionistas, que acusaram o governo de blindar figuras próximas ao presidente. Para esses parlamentares, a rejeição fragiliza a credibilidade da comissão e impede que o colegiado avance sobre pontos considerados essenciais para desvendar a suposta rede de fraudes envolvendo o INSS.
Com a decisão, o tema deve continuar sendo explorado politicamente, mas sem previsão de retorno à pauta formal da CPMI. Nos bastidores, aliados de van Hattem já admitem buscar novos caminhos para reacender o debate. E mais: Filho de Lula recebeu mesada do Careca do INSS. Saiba detalhes! (Foto: EBC; Fonte: UOL; Estadão)

